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Sintagmas

Do grego syntaxis, o termo sintaxe tem o significado de ordem, disposição, relação. Portanto, o estudo da sintaxe está relacionado à disposição dos termos em uma sequência que se denomina oração.

Nesse sentido, os estudos dos linguistas americanos contribuíram com a noção de constituintes imediatos e, consequentemente, a formulação de regras de estrutura sintagmática.

As meninas de vermelho entraram na competição.

Ao fazermos um primeiro agrupamento, teremos:
/As meninas de vermelho/entraram/na competição.

Identificamos três sintagmas nessa oração. Os constituintes imediatos da oração são os sintagmas. Podemos, então, definir o sintagma como uma unidade significativa na oração ou, de acordo com Sautchuk, como: toda construção sintática que constitua um “bloco” significativo ou funcional no eixo horizontal, formado a partir de uma ou mais de uma unidade linguística, de nível imediatamente inferior, segundo Sautchuk.

Observamos que esses sintagmas podem mudar de posição no eixo sintagmático:

/Entraram/as meninas de vermelho/na competição.
Ou:
/Na competição/entraram/as meninas de vermelho.

Essas combinações são possíveis e reconhecidas pelos falantes como orações da língua portuguesa. O arranjo mais próximo ou mais distante dos padrões linguísticos resulta em maior ou menor familiaridade para o falante. É o que se denomina força das leis sintáticas numa língua.

Para cada sintagma, há um elemento central, o qual se denomina núcleo do sintagma. É ele que determinará a classificação dos sintagmas em nominal, adjetival, preposicional (ou preposicionado) e adverbial.

Então, hierarquicamente, vimos que em todos os exemplos há um sintagma nominal (SN) que pode ser subdividido, conforme descrito anteriormente. Portanto, há um sintagma autônomo em todos os exemplos, constituído de sintagmas internos.

Para entendermos melhor, vejamos uma oração completa:
Aquele lindo casaco azul necessita de reparos.

Em um primeiro agrupamento, ao identificarmos os sintagmas da oração, teremos:

/Aquele lindo casaco azul/necessita/de reparos.
SN SV SP

Esses são os sintagmas autônomos, isto é, aqueles que podem mudar de posição na organização sintática da oração:

/De reparos/necessita/aquele lindo casaco azul.

No entanto, temos dois sintagmas adjetivais internos em aquele lindo casaco azul, que correspondem a lindo e azul, os quais não podem mudar de posição na oração, pois estão dentro do sintagma nominal. Essa é a diferença entre sintagma autônomo e sintagma interno.

FUNÇÃO SINTÁTICA DOS SINTAGMAS AUTÔNOMOS E INTERNOS
Retomando a classificação dos sintagmas em autônomos ou internos, passamos a verificar as funções sintáticas (algumas já apresentadas) desses sintagmas na oração.

Como já foi visto, os sintagmas autônomos são os que podem ser deslocados no eixo sintagmático da oração, portanto, podemos, grosso modo, dizer que eles “têm vida própria”. É o que acontece com sintagmas que têm a função de sujeito, de objeto (direto ou indireto), de predicativo (do sujeito ou do objeto), de agente da passiva, de adjunto adverbial, de aposto e de vocativo.

Quanto aos sintagmas internos, estes se encontram subordinados a outros sintagmas, visto que se encontram dentro deles e, por isso, não podem ser deslocados na oração. É o caso do adjunto adnominal e do complemento nominal.

Entre os autônomos, ainda não tratamos de alguns que serão apresentados a seguir, como o agente da passiva, o aposto e o vocativo. Os demais se encontram já descritos anteriormente.

Quando a oração encontra-se na voz passiva, há um novo constituinte dessa oração, que se denomina agente da passiva. Vejamos o exemplo que segue.

O espetáculo foi apresentado pelo locutor.

No exemplo, temos como sujeito o espetáculo. Todavia, essa oração encontra-se na voz passiva analítica, em que a estrutura é: sujeito + verbo auxiliar + verbo principal na forma nominal particípio + agente da passiva.

Portanto, o sintagma pelo locutor tem a função de agente da passiva. As características desse sintagma são: sintagma preposicionado, introduzido pela preposição “por” (pelo = per < por + o), autônomo. Veja mais alguns exemplos de agente da passiva:

Palavra substantivada:
O documento foi assinado pelo responsável.
(agente da passiva: pelo responsável)

Pronome:
A carta foi assinada por mim.
(agente da passiva: por mim).


Sintagma, portanto, é o conjunto de palavras subordinadas aos núcleos das orações.

Como toda oração é formada pelo sujeito + predicado, o estudo do sintagma é uma análise do sentido e da função das palavras que acompanham justamente o núcleo desse sujeito e o núcleo desse predicado.

Há dois tipos de conjuntos de sintagmas:

1° o conjunto de palavras que compõe o sujeito; e

2° o conjunto de palavras que compõe o predicado.

Essa relação de subordinação se dá nos vocábulos que determinam ou modificam o sentido dos núcleos do sujeito e do predicado.

Por exemplo:
Uma polícia honesta despertaria a confiança da população

O sintagma nominal é composto pelo grupo de palavras que compõe o sujeito, ou seja, “Uma polícia honesta”, o que corresponde ao sujeito da oração, sendo que o substantivo “polícia” é o núcleo do sintagma nominal;

O sintagma verbal é composto pelo grupo de palavras que formam o predicado, ou seja, “despertaria a confiança da população”, o que corresponde ao predicado da oração, sendo o núcleo do sintagma verbal o próprio verbo “despertaria”.

Nesse primeiro exemplo, faz-se necessário deixar clara a seguinte conclusão: sempre o núcleo do sintagma nominal será um vocábulo com função nominal (substantivos, pronomes substantivos, numerais); entretanto, o núcleo do sintagma verbal será apenas o verbo, nenhuma outra palavra de outra classe pode assumir essa posição. Ainda no mesmo exemplo, faz-se outra observação:

Em: Uma polícia honesta despertaria a confiança da população.

Ao redor do núcleo do sintagma nominal há a presença do artigo (“Uma”) e do adjetivo (“honesta”). Esses termos alteram o sentido do núcleo determinando ou modificando esse sentido. No 1° caso o artigo determina o sujeito, expressa o grau de precisão do núcleo, com o sentido de polícia no geral; no 2° caso o adjetivo modifica uma qualidade desse núcleo, evidência um atributo do núcleo.