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Quando usar o hífen?


Muita gente ainda não se acostumou com a nova vigência do Novo Acordo Ortográfico. Algumas das regras do uso do hífen foram alteradas, causando confusão entre todos nós, principalmente naquelas que aprenderam a ler e escrever antes da reforma ortográfica entrar em vigor.

O hífen caracteriza-se como um sinal gráfico que, semelhantemente a tantos outros, desempenha algumas funções próprias, estando estas relacionadas a uma infinidade de circunstâncias linguísticas. Entre elas, podemos citar a de ligar palavras compostas; fazer a junção entre pronomes oblíquos e algumas formas verbais, representadas pela mesóclise e ênclise; separar as sílabas de um dado vocábulo; ligar algumas palavras precedidas de prefixos.

Após o Novo Acordo Ortográfico, em 1º de janeiro de 2009, algumas mudanças ocorreram no que se refere ao emprego do referido sinal. Assim, algumas palavras que antes eram compostas se aglutinaram, outras que não eram grafadas por hífen passaram a ser, entre outros aspectos. Dessa forma, dada a sua complexidade, o artigo em questão pauta por enfatizar essas mudanças, levando-se em consideração, em alguns casos, o que antes se fazia presente e o que atualmente vigora.

1. PALAVRA INICIADA COM H
Com prefixos (anti, co, mini, super etc.), sempre se utiliza o hífen quando a segunda palavra ou elemento for iniciado com h (hotel, herdeiro, herói, humano etc.).

Veja alguns exemplos:
anti-higiênico
anti-herói
co-herdeiro
mini-hotel
sobre-humano
super-homem

A exceção a essa regra é a palavra subumano, já que na junção do sub + humano, a palavra humano perde o h.

2. VOGAIS DIFERENTES
Não se usa mais o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia a segunda palavra. Um exemplo disso é a palavra aeroespacial, a qual é formada pela preposição aero (que termina com o) + espacial (que começa com e). Como a vogal que termina o prefixo (o) e que começa a palavra (e) são diferentes, logo, não se utiliza o hífen.

Veja abaixo outros exemplos:
agroindustrial
antiaéreo
autoaprendizagem
autoestrada
coautor
infraestrutura
plurianual
semiaberto

No entanto, o prefixo co junta-se com a segunda palavra mesmo quando ela iniciar com o. Exemplos: coordenar, cooperar, cooperação.

3. CONSOANTE INICIAL DIFERENTE DE ‘R’ OU ‘S’ NÃO UTILIZA HÍFEN
Mais uma regra que fala sobre quando não usar o hífen. Nesse caso, quando o prefixo termina em vogal e o segundo elemento começa com um consoante diferente de R ou S, não se utiliza o hífen.

Um bom exemplo dessa regra é a palavra seminovo. Ela é formada pelo prefixo semi (que termina com i) + novo (que começa com n). Como o prefixo termina com vogal (i) e a consoante que começa a segunda palavra (n) não é R ou S, não se usa o hífen.

Veja outros exemplos:
anteprojeto
autopeça
geopolítica
microcomputador
semicírculo
ultramoderno

Com o prefixo vice sempre se utiliza o hífen. Exemplos: vice-rei, vice-almirante, vice-presidente, vice-governador.

4. CONSOANTE INICIAL ‘R’ OU ‘S’
Essa regra complementa a regra anterior. Nos casos onde o prefixo termina com vogal e a segunda palavra começa com R ou S, essas letras são duplicadas e não se utiliza o hífen. Por exemplo, a palavra antissocial é formada pelo prefixo anti e o elemento social, mas como o prefixo termina em vogal (i) e o segundo elemento começa com S, o S, logo, é duplicado, formando assim a palavra antiSSocial.

Mais alguns exemplos em que o r ou s são duplicados:
antirrábico
biorritmo
contassenso
cosseno
microssistema
minissaia
semirreta
ultrarresistente
ultrassom

5. VOGAIS IGUAIS
Quando o prefixo terminar com a mesma vogal com que o segundo elemento começa, sempre se utiliza o hífen.

Um exemplo dessa regra é a palavra anti-inflamatório. Perceba que o prefixo anti termina com a mesmo vogal que a palavra inflamatório começa, ou seja, a vogal I. Quando isso acontece, sempre devemos utilizar o hífen.

Veja outros exemplos em que o hífen é utilizado:
anti-inflacionário
auto-observação
contra-ataque
micro-ondas
micro-ônibus
semi-interno

6. CONSOANTES IGUAIS
Quando o prefixo termina com consoante, se a segunda palavra começar com a mesma letra, utiliza-se o hífen.

Um bom exemplo dessa regra é a palavra inter-regional. No caso, o prefixo inter termina com R e a palavra regional também começa com R, formando a palavra inteR-Regional,  por isso é obrigatória a utilização do hífen entre elas.

Veja mais exemplos dessa regra:
inter-racial
sub-bibliotecário
super-resistente
super-romântico

Lembre-se, nos demais casos, em que as consoantes não são iguais, não se utiliza o hífen. Exemplo: hipermercado, intermunicipal, superproteção.

IMPORTANTE!
Essa regra possui algumas exceções:

No caso do prefixo SUB, usa-se o hífen também diante de palavras iniciadas com R. Exemplo: sub-região, sub-regimento etc.

No caso dos prefixos CIRCUM e PAN, também utiliza-se o hífen se a segunda palavra começar com M, N ou VOGAL. Exemplo: circum-navegação, pan-americano etc.

7. CONSOANTE COM VOGAL
Essa regra fica quase que subentendida pelas outras regras, mas é sempre bom enfatizar. Quando o prefixo terminar em consoante e a segunda palavra começar com vogal, não se usa o hífen.

Por exemplo, a palavra hiperativo é formada pelo prefixo hiper (que termina com a consoante R) e a palavra ativo (que começa com a vogal A), por isso ela não recebe hífen.

Veja outros exemplos do uso dessa regra:
hiperacidez
interescolar
interestelar
superaquecimento
superexigente
superinteressante

8. UTILIZAÇÃO OBRIGATÓRIA
Com o Novo Acordo Ortográfico tornou-se obrigatória a utilização do hífen após certos prefixos, sendo eles: ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré e pró. Ou seja, toda vez que você utilizar esses prefixos para formar uma palavra, você precisa usar o hífen.

Veja alguns exemplos com cada um desses prefixos:
ex-aluno, ex-presidiário, ex-presidente
sem-terra, sem-teto
além-mar, além-túmulo
aquém-mar
recém-casado, recém-nascido
pós-graduação, pós-doutorado
pré-vestibular, pré-adolescente
pró-europeu

9. ORIGEM TUPI-GUARANI
No Novo Acordo Ortográfico foi determinado que quando forem utilizados os sufixos de origem tupi-guarani açu, guaçu e mirim, é obrigatória a utilização do hífen.

Cabe ressaltar que essa regra diz respeito ao uso de sufixos, ou seja, a parte utilizado no final da palavra. Exemplos de palavras formadas com esses sufixos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.

10. ENCADEAMENTOS VOCABULARES
Essa regra é uma das poucas regras do Novo Acordo Ortográfico que não falam sobre a utilização de prefixos. Ela estabeleceu que deve-se utilizar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasionalmente se combinam para formar encadeamentos vocabulares. Portanto quando as palavras aglutinadas não formarem um vocábulo, ou seja, uma nova palavra, deve-se utilizar o hífen.

Veja abaixo alguns exemplos:
Rio-Niterói
Rio-São Paulo
Sampa-Sul

11. USUALIDADE
Algumas palavras anteriormente formadas pela junção de duas ou mais palavras ficaram tão comuns na língua portuguesa que o Novo Acordo Ortográfico definiu que elas não devem mais ser escritas com o hífen. Ou seja, não se usa mais o hífen em palavras que perderam a noção de composição.

Veja alguns exemplos:
girassol
madressilva
mandachuva
paraquedas
paraquedista
pontapé

12. SEPARAÇÃO SILÁBICA
Essa regra diz respeito à separação silábica dos textos manuscritos. Com o Novo Acordo Ortográfico ficou definido que, para ajudar na clareza gráfica dos textos, se no final da linha a separação de uma palavra ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na linha seguinte. Ou seja, quando você estiver escrevendo uma redação ou texto à mão, na hora de separar as sílabas de uma palavra porque ela não coube inteira no final da linha, se essa separação coincidir com o hífen, como quando utilizamos a ênclise (pronome colocado após o verbo: diz-se, fala-se etc.), o hífen deve ser repetido no começo da próxima linha.

Veja o exemplo abaixo:
Na cidade contava–
–se que ele fugiu de casa.

O diretor recebeu os ex–
–alunos de braços abetos.

OUTRAS REGRAS
Diante dos prefixos -além, -aquém, -bem, -ex, -pós, -recém, -sem, - vice usa-se o hífen. Exemplos: além-mundo– aquém-mar – recém-casado – sem-teto – vice-diretor.

O hífen encontra-se presente diante do advérbio mal, quando a segunda palavra começar por vogal ou h. Exemplos: mal-acabado – mal-humorado– mal-intencionado.

O emprego do hífen ainda permanece em palavras compostas que não contêm elemento de ligação, como também naquelas que designam espécies botânicas e zoológicas. Exemplos: amarelo-claro – bem-te-vi – conta-gotas – guarda-costas– erva-doce – caneta-tinteiro.

Não se usa mais o hífen em locuções substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuntivas.

Veja alguns exemplos:
Café com leite
Camisa de força

O hífen ainda permanece em alguns casos, expressos por:
cor-de-rosa - água-de-colônia – lua-de-mel etc.

Não se usa o hífen com o advérbio mal quando o segundo elemento começar por consoante. Exemplos: maldormido – malgovernado – malvestido – malsucedido.