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Paráfrase e polissemia na análise do discurso


A relação entre este par conceitual (paráfrase e polissemia) é constitutiva da produção de sentidos na linguagem:

Por paráfrase entende-se a (re)produção variada do mesmo: ancoragem e retomada dos sentidos históricos (pré-construídos), que se reproduzem intradiscursivamente no funcionamento enunciativo-discursivo, por meio das operações sintáticas e das escolhas lexicais. Diz respeito à retomada de efeitos de sentido, situados no interdiscurso, (já dito) na produção de dado discurso, que, em sua legitimação, possibilita a previsibilidade e a manutenção do dizer no espaço da memória discursiva.

A paráfrase é responsável pela produtividade na língua, porque, ao enunciar um discurso, o sujeito resgata um dizer que já está estabelecido na memória e o reformula, abrindo espaço para o novo. Essa tensão entre a retomada do mesmo e a possibilidade do diferente acaba com a separação entre paráfrase e polissemia, uma vez que esses processos discursivos atuam em associação, sendo um contraparte do outro.

Por polissemia entende-se o diferente, a criatividade, o deslocamento, o movimento dos sentidos (por exemplo, a estrutura das novelas. Este processo traz elementos típicos, estereotípicos que se repetem, reproduzem, parafraseiam, mas sempre há contingências que instauram “saltos”, deslocamentos, ressignificações do mesmo, construindo novos sentidos para os personagens. A moda é outro exemplo nessa mesma direção acerca do mesmo e o diferente).

Conferir os conceitos de forma-sujeito, posição-sujeito, autor e leitor em Ferreira. Ou seja, a polissemia é o deslocamento, a ruptura, a emergência do diferente e da multiplicidade de sentidos no discurso. É o processo na linguagem que assegura a criatividade na língua pela interferência do diferente no processo de produção da linguagem, possibilitando o deslocamento e a ressignificação das regras do discurso e resultando em movimentos que afetam os sentidos e os sujeitos na sua relação com a história e a língua. Tal possibilidade de renovação e criação de sentido permitida pela polissemia é a razão de existência da linguagem, uma vez que a necessidade do dizer é fruto da pluralidade dos sentidos. É a polissemia na linguagem que garante que um mesmo objeto simbólico passe por diferentes processos de ressignificação.

Veja que esses conceitos não dizem respeito simplesmente ao que vulgarmente se conhece como paráfrase e polissemia na gramática tradicional ou mesmo em outras teorias linguísticas. Considere-se ainda que há três formas de repetição (paráfrase):

1. A repetição empírica: exercício mnemônico sobre fatos, ações.

2. A repetição formal: técnica de elaboração linguística.

3. A repetição histórica: memória constitutiva, rede de filiações enunciativo-discursivas.