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Orações coordenadas e subordinadas – e as reduzidas


O processo de coordenação diz respeito à organização em que as orações têm uma equivalência, isto é, há um paralelismo e não uma hierarquia de informações veiculadas pelas orações que compõem o período.

Evanildo Bechara classifica esse processo como parataxe:

Consiste a parataxe na propriedade mediante a qual duas ou mais unidades de um mesmo estrato funcional podem combinar-se nesse mesmo nível para constituir, no mesmo estrato, uma nova unidade suscetível deste estrato. Portanto, o que caracteriza a parataxe é a circunstância de que unidades combinadas são equivalentes do ponto de vista gramatical.

Já no processo de subordinação, há uma hierarquia na qual existe sobreposição de uma oração em relação à outra, daí o conceito de oração subordinada em relação à principal.

É o que Bechara denomina hipotaxe:

A hipotaxe (...) consiste na possibilidade de uma unidade correspondente a um estrato superior poder funcionar num estrato inferior, ou em estratos inferiores. É o caso de uma oração passar a funcionar como membro de outra oração, particularidade muito conhecida em gramática.

Ressaltamos, ainda, que os limites do período são estabelecidos por pontuações finais (., !, ?,...). Assim, podemos verificar, antes, o número de orações e de períodos no exemplo a seguir.

(1) Havia harmonia no ambiente. Os quadros estavam bem colocados, a mesa foi bem arrumada pela mulher e um perfume agradável dominava o ambiente.

Podemos dizer que há dois períodos no parágrafo, e este é composto por quatro orações ao todo, sendo uma no primeiro período e três no segundo. Os períodos encontram-se delimitados pelos pontos finais, enquanto as orações podem ser localizadas pelos verbos havia, estavam, foi e dominava.

PARA ENTENDER
No período simples: possui apenas uma oração.
No período composto: possui duas ou mais orações.

Quanto aos processos de coordenação (parataxe) ou subordinação (hipotaxe), em um texto podemos encontrá-los mistos na organização dos parágrafos. Por isso, o que interessa é compreender como esses mecanismos funcionam, além de saber identificá-los para a descrição linguística do texto.

Vejamos um exemplo:

Quando eu entrei no quarto /, abri a gaveta / e descobri / que o meu anel sumiu.

Nesse período, que já se encontra segmentado pelas barras, vamos verificar a relação sintática entre as orações. Para efeito de descrição, chamemos de (a) a primeira, de (b) a segunda, (c) a terceira e (d) a quarta oração.

Entre as orações (a) e (b), há uma relação de subordinação, em que a oração (b) é principal em relação à (a), e esta equivale a uma circunstância de tempo, então se classifica como subordinada adverbial.

A oração (c) é coordenada em relação à (b), introduzida pela conjunção aditiva e, daí sua classificação em oração coordenada sindética (aditiva).

Já a oração (d) corresponde a um sintagma que complementa a oração anterior, (c), e equivale ao objeto direto da oração anterior, portanto é uma oração subordinada substantiva.

Isto posto, passaremos a tratar separadamente de cada tipo de processo de organização sintática – coordenação e subordinação – para efeitos didáticos de compreensão, lembrando que em um texto esses mecanismos diversificam-se, havendo períodos, parágrafos em que ambos se encontram.

PERÍODO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO
No período composto por coordenação, há uma independência entre as orações pelo fato de elas apresentarem-se completas, isto é, terem todos os termos sintáticos previstos na relação predicativa (ao contrário das orações complexas ou período composto por subordinação).

Todavia, embora não aparente, a coordenação é um processo mais complexo, tendo em vista que muitas vezes envolve fatores semânticos e cognitivos. Analise, por exemplo, dois enunciados semelhantes:

(2) Estudei bastante e fui aprovada.
(3) Estudei bastante e fui reprovada.

Temos dois exemplos que apresentam a mesma estrutura sintática. São duas orações, havendo na segunda um conector e como ligação entre cada uma delas. No entanto, observando-as semanticamente, no exemplo (2), a segunda oração tem um valor positivo em relação à primeira, ao passo que no exemplo (3) a segunda tem valor negativo em relação à primeira.

Para Bechara, entretanto, essa conclusão não está no uso do conector e, que, do ponto de vista sintático, tem por função adicionar uma informação à outra. É esse o papel que exerce em ambos os exemplos, portanto podemos entender que essa conjunção (= conector) é aditiva.

IMPORTANTE
A gramática tradicional denomina sindéticas as orações que têm conjunção, pois esta recebe também o nome de síndeton, daí a denominação. E são essas conjunções coordenativas que designam a classificação para as orações.

De acordo com Bechara, são três as relações estabelecidas pelas conjunções coordenativas (ou conectores):

1. Aditiva: adiciona orações.
Entrou e sentou-se no sofá.

Em orações negativas, a conjunção e pode ser substituída por nem.
João não comeu nem bebeu em casa.

2. Adversativa: contrapõe o conteúdo de uma oração em relação à outra.
Procurei o meu brinco, mas não o encontrei.

As conjunções adversativas mais comuns são mas, porém, senão (após conteúdo negativo).

3. Alternativa: contrapõe o conteúdo de uma oração ao de outra, com a ideia de exclusão de um em relação ao outro, ou seja, de escolha, de alternativa.
Entra ou sai da porta.

A gramática tradicional relaciona, ainda, orações coordenadas que apresentam conjunções conclusivas, explicativas e causais.

Para Bechara, entretanto, esses valores estabelecidos por essas conjunções têm semelhança com as orações subordinadas e encontram-se no nível do sentido do texto, ultrapassando os limites de fronteira da oração.

Assim como há orações coordenadas introduzidas por conjunções, há períodos em que elas se justapõem, ou seja, em que elas encontram-se ligadas sem marcas linguísticas, apenas distintas pela pontuação. É o que a gramática tradicional denomina oração coordenada assindética (= sem conjunção). Esse procedimento de enlace das orações pode ser chamado de justaposição.

Exemplificando:
Dirigiu-se à porta, abriu-a, saiu. Ninguém na rua. Voltou para casa.

Período composto por subordinação
O período composto por subordinação é também visto como uma oração e/ou sintagma complexo, como define Perini: “Chamaremos sintagma complexo um sintagma que encerra, como um de seus constituintes imediatos ou mediatos, uma oração”.

Se retomarmos o conceito de oração e seus constituintes que vimos no estudo do período simples, verificaremos que em um período desse tipo as orações que correspondem às subordinadas exercem funções dos sintagmas representados por substantivos, adjetivos e advérbios.

Nesse sentido, afirma Perini:

Em princípio, um sintagma complexo pode ocupar as mesmas funções que um sintagma simples da mesma classe. (...) Assim, um SN simples pode ser sujeito, objeto direto etc., e um SN complexo pode desempenhar exatamente as mesmas funções.

Assim, a partir dessa noção de sintagma, podemos relacionar os grupos de orações subordinadas às funções dos sintagmas que representam.

As orações substantivas têm funções exercidas pelo sintagma nominal, as adjetivas, pelo sintagma adjetival e as adverbiais, pelo sintagma adverbial.

A primeira classificação de uma oração subordinada refere-se à função exercida por ela na oração principal. Se exercer função de um substantivo (sujeito, objeto, predicativo, complemento nominal, aposto, agente da passiva), será chamada de substantiva.

Se exercer função de adjunto adnominal, será chamada de adjetiva. Se exercer a função de adjunto adverbial, será chamada de adverbial.

Orações subordinadas substantivas
Se a oração substantiva equivale a um sintagma nominal, ela exercerá a função que este teria na oração complexa (ou período composto por subordinação) em que se encontra. Por exemplo:

(4) Esperamos que você venha.

Ao dividirmos o período, temos a oração principal Esperamos e a subordinada (que) você venha. Se substituíssemos a oração por um sintagma nominal, poderíamos obter Esperamos sua vinda.

Tornando-se um período simples, neste poderíamos identificar seus elementos: sujeito oculto (nós); verbo transitivo direto – esperamos; objeto direto – sua vinda.

O sintagma nominal que equivale à oração subordinada no período tem a função de objeto, por isso ela recebe a classificação de oração subordinada substantiva objetiva direta.

A partir das funções que podem exercer o sintagma nominal, elaboramos, a seguir, um quadro para a classificação das orações subordinadas substantivas.

Substantiva subjetiva: sujeito.
É certo que eu irei.

Substantiva objetiva direta: objeto direto.
Ela não viu que eu cheguei.

Substantiva objetiva indireta: objeto indireto.
Eu necessito de que alguém me ajude.

Substantiva completiva nominal: complemento nominal.
Tenho necessidade de que alguém me ajude.

Substantiva predicativa: predicativo.
O fato foi que tudo terminou.

Substantiva apositiva: aposto.
Tenho uma certeza: que tudo terminou bem.

A fim de facilitar a classificação das orações subordinadas substantivas, apresentamos um método prático, proposto por alguns estudiosos da gramática.

Trata-se de substituir a oração subordinada pelo pronome isso e, a partir da substituição, observar que função assumiria em um período simples. Vejamos:

(5) Convém que você venha.
Substituindo a oração subordinada:
Convém isso.

Se colocarmos a oração transformada na ordem direta (SVC), obtemos:
Isso convém.

Assim, observamos que a oração equivale a um sintagma que tem a função de sujeito da oração. Portanto, essa oração deve ser classificada como subordinada substantiva subjetiva.

É importante ressaltar que as orações substantivas são introduzidas normalmente pela conjunção integrante que. Quando indica uma incerteza, um questionamento, o que pode ser substituído por se:

Não sei se ela virá.

Bechara chama essa conjunção integrante de transpositor:

Na realidade essa conjunção não tem por missão precípua juntar duas orações – como fazem as conjunções coordenativas –, mas, tão somente, marcar o processo porque se transpôs uma unidade de camada superior (uma oração independente) para funcionar, numa camada inferior, como membro de outra oração. (...) Só haverá orações ou períodos compostos quando houver coordenação. Dizemos que esse que é um transpositor.

Daí também a preferência de Bechara, assim como a de Perini, por chamar de orações complexas orações que integram um período composto por subordinação. No caso das orações substantivas, o autor chama-as de orações complexas de transposição substantiva.

Orações subordinadas substantivas subjetivas
Exemplos:
É sabido que o universo apresenta muitas galáxias.
(É sabido isso).

É claro que a tecnologia evolui rápido demais.
(É claro isso).

Diz-se que os políticos brasileiros são corruptos, mas há exceções.
(Diz-se isso).

Convém que o candidato estude bastante para a prova.
(Convém isso)

É importante que todos contribuam para a festa.
(É importante isso).

IMPORTANTE
Função sintática da oração substantiva subjetiva: sujeito.

Oração subordinada substantiva objetiva direta
Exemplos:
O professor deseja que os alunos fiquem em silêncio
(O professor deseja isso).

A pátria espera que todos colaborem.
(A pátria espera isso)

Espero que você venha à festa amanhã.
(Espero isso).

IMPORTANTE
Função sintática da oração substantiva objetiva direta: objeto direto.

Oração subordinada substantiva objetiva indireta
Exemplos:
A sua convocação depende de que haja vagas.
(A sua convocação depende disso).

Necessito de que ele devolva meus livros.
(Necessito disso).

Insisto em que o trabalho seja feito depressa.
(Insisto nisso).

IMPORTANTE
A função sintática da oração objetiva indireta é: objeto indireto.

A preposição que introduz a objetiva indireta é exigida pelo verbo principal.

Oração subordinada substantiva predicativa
Exemplos
A verdade é que aqueles alunos estudam muito.
(A verdade é essa).

Sua resposta foi que nos retirássemos da sala.
(Sua resposta foi essa).

Os meus votos são que triunfes.
(Os meus votos são esses).

A função sintática da oração predicativa é: predicativo do sujeito.

Oração subordinada substantiva completiva nominal
Exemplos:
O professor tem confiança em que nós façamos a pesquisa.
(O professor tem confiança nisso).

Tivemos a impressão de que a tempestade viria logo.
(Tivemos a impressão disso).

Paulo fez referência a que eu o acompanhasse.
(Paulo fez referência a isso).

IMPORTANTE
A função sintática da oração completiva nominal é: complemento nominal.

A preposição que introduz a completiva nominal é exigida pelo nome que, na principal, pede complemento.

Oração subordinada substantiva apositiva
Exemplos:
Peço-lhe um favor: que me guarde essa carta.
(Peço-lhe um favor: isso).

Intrigava-me um fato: ele nem tinha sido convidado.
(Intrigava-me um fato: isso).

O pai disselhe algo: estude, meu filho.
(O pai disselhe algo: isso).

IMPORTANTE
A função sintática da oração substantiva apositiva é: aposto.

Orações subordinadas adjetivas
Seguindo o critério apresentado inicialmente de relacionar as orações subordinadas às funções exercidas pelos sintagmas que as representam, segundo propõe Sautchuk, uma oração adjetiva tem a função que um sintagma adjetival teria em um período simples, as quais são de predicativo ou de adjunto adnominal.

Para exemplificarmos, vamos iniciar por um período simples e depois faremos sua correspondência a um período composto.

(6) O pedestre, muito tranquilo, atravessou a rua tumultuada.

No exemplo (6), temos dois sintagmas de natureza adjetiva. O primeiro é um sintagma autônomo, muito tranquilo, e o segundo é um sintagma adjetival interno ao sintagma nominal, a rua tumultuada.

Observemos que uma forma de diferenciar o predicativo do adjunto adnominal é essa característica de o sintagma ser autônomo ou interno. Ambos os sintagmas adjetivais têm a função de modificadores do substantivo, mas um constitui um sintagma independente e o outro se encontra dentro de outro sintagma.

Essa característica diferenciadora assegura-nos a classificação de predicativo do sujeito para o sintagma autônomo muito tranquilo e de adjunto adnominal para tumultuada no sintagma a rua tumultuada.

Esse mesmo período poderia ser transformado em um período composto:

O pedestre, que estava tranquilo, atravessou a rua que era tumultuada.

Apesar da nova construção do período, manteve-se seu sentido, e a classificação para as orações é de subordinada adjetiva explicativa para a primeira e de subordinada adjetiva restritiva para a segunda.

A primeira oração, adjetiva explicativa, assim como o predicativo do sujeito, corresponde a um sintagma autônomo, de natureza adjetiva. Já a segunda, adjetiva restritiva, corresponde a um sintagma adjetival interno.

As orações explicativas são separadas da oração principal, na escrita, pelo uso da vírgula. Veja os exemplos a seguir:

As casas que são novas podem ser vendidas.
As casas, que são novas, devem ser desapropriadas.

A primeira delas trata-se de uma oração restritiva. Entende-se que apenas algumas casas são novas. Já na segunda, que é explicativa, entende-se que todas as casa são novas.

Alguns gramáticos até denominam as orações adjetivas de relativas, pelo fato de elas serem introduzidas por um pronome relativo (que, quem, o(a) qual, os(as) quais, cujo(a), cujos(as), onde). O pronome relativo, por sua característica anafórica, ou seja, de retomada de um termo antecedente, exerce sempre uma função sintática na oração que introduz.

(7) Encontrei o vídeo que procurava.

No exemplo (7), que é o pronome relativo que introduz a oração adjetiva restritiva que procurava.

Esse pronome pode, inclusive, ser substituído por o qual. Além disso, está retomando o vídeo, sintagma da oração anterior que tem a função de objeto direto. Então, se substituíssemos o pronome relativo pelo sintagma anterior, como se fosse um período simples, a oração ficaria assim:

Procurava o vídeo.

Nessa oração transformada, o vídeo complementa o verbo procurava, para o qual o sujeito está oculto (eu). Portanto, que na oração tem a função de objeto direto.

Orações subordinadas adverbiais
As orações adverbiais, assim como os sintagmas adverbiais, têm a função de modificar o verbo, indicando-lhe uma circunstância. Dessa forma, essas orações classificam-se de acordo com a circunstância que indicarem em relação à oração principal. Por exemplo, se tivéssemos a seguinte oração:

O cão dorme tranquilo.

Poderíamos acrescentar-lhe circunstâncias em forma de orações:
(8) Enquanto varro a sala, o cão dorme tranquilo.
(9) O cão dorme tranquilo onde há uma cama.
(10) O cão dorme tranquilo porque está cansado.
(11) Apesar de ser dia, o cão dorme tranquilo.

Observando cada exemplo, vejamos as circunstâncias que cada oração acrescentada (que forma com a principal um período composto) indica para classificá-las.

No exemplo (8), a oração enquanto varro a sala indica uma circunstância de tempo em relação à principal, por isso a sua classificação é de subordinada adverbial temporal.

Da mesma forma, no exemplo (9), a oração onde há uma cama indica o local da ação da oração principal, daí sua classificação em subordinada adverbial locativa.

Já no exemplo (10), a circunstância indicada pela oração subordinada é de causa em relação à informação da oração principal, por isso trata-se de uma adverbial causal.

Finalmente, no exemplo (11), há ideia de concessão (ou contradição na lógica) introduzida pela oração. Esta se classifica como oração subordinada adverbial concessiva. Assim, é a ideia circunstancial que determinará a classificação desse tipo de oração, como pudemos observar em cada exemplo.

Essa ideia, se estivesse expressa em período simples, seria estabelecida pela relação sintática de um adjunto adverbial na oração. É por esse motivo que as orações desse grupo são denominadas adverbiais.

Para facilitar a classificação, apresentamos, a seguir, um quadro referente aos tipos de oração subordinada adverbial, de acordo com a classificação de Abreu.

Causal: exprime a causa, o motivo, a razão, relacionada à oração principal.
Chegamos atrasados porque saímos tarde de casa.

Condicional: exprime uma condição necessária para que se efetive a informação declarada na principal.

Se eu estudasse, seria aprovado no concurso.

Consecutiva: exprime o efeito, a consequência do que está expresso na principal.
Falou tanto que perdeu a voz.

Conformativa: exprime uma informação em conformidade com a que está expressa na principal.
Fez o trabalho conforme o professor orientou.

Temporal: exprime tempo em relação à informação expressa na principal.
Assim que todos chegarem, avise-me.

Comparativa
Exprime o elemento com que se compara outro elemento da oração principal. A comparação pode ser de igualdade, superioridade ou inferioridade.

a) Igualdade: Você é teimoso como sua irmã (é teimosa).
b) Superioridade: Você fala mais que uma rádio (fala).
c) Inferioridade: Esse garoto fez menos arte que aquele (fez).

Concessiva: exprime um obstáculo, uma contradição em relação ao que se encontra declarado na principal. A concessão está na lógica.

Não fui aprovado no vestibular, embora tenha alcançado boa nota.

Final: exprime finalidade, intenção, objetivo em relação à oração principal.
Esforçou-se muito para que fosse promovido no trabalho.

Proporcional: exprime uma informação que aumenta ou diminui na mesma proporção ao que se enuncia na oração principal.

À medida que chovia, formavam-se novos pontos de alagamento na cidade.

Modal: exprime circunstância de modo em relação à informação expressa na principal.
Saiu sem que desse nenhuma satisfação.

Locativa: exprime lugar em relação ao que está expresso na oração principal. Normalmente é iniciada por onde, sem referência a antecedentes.

Não há harmonia onde não existe amor.

IMPORTANTES
As orações modais e locativas não são reconhecidas pela Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB).

Oração subordinada adverbial causal
Veja alguns conectores que introduzem as orações causais: porque, pois, como, porquanto, por que, uma vez que, visto que, visto como, por isso que, já que.

Exemplos:
Como não estudou, foi reprovado.
Não fui à festa, uma vez que choveu.

IMPORTANTE
Causal: exprime a causa, o motivo, a razão, relacionada à oração principal.

Oração subordinada adverbial condicional
Veja alguns conectores que introduzem as orações condicionais: se, salvo se, exceto se, desde que, a menos que, a não ser que, caso.

Exemplos:
O passeio será realizado, a menos que surja um temporal.
Se as pesquisas estiverem certas, o partido do governo será o vencedor.
Caso você queira, encontraremo-nos amanhã.

IMPORTANTE
Condicional: exprime uma condição necessária para que se efetive a informação declarada na principal.

Oração subordinada adverbial consecutiva
Veja alguns conectores que introduzem as orações consecutivas: que, de forma que, de modo que, tanto que.

Exemplos:
Tal era sua valentia, que todos tinham medo dele.

IMPORTANTE
Consecutiva: exprime o efeito, a consequência do que está expresso na principal.

Oração subordinada adverbial conformativa
Veja alguns conectores que introduzem as orações conformativas: segundo, conforme, como, consoante.

Exemplos:
Segundo pensava Platão, havia um mundo das ideias que era imutável.
Conforme ele disse, deveremos iniciar o projeto amanhã.

IMPORTANTE
Conformativa: exprime uma informação em conformidade com a que está expressa na principal.

Oração subordinada adverbial temporal
Veja alguns conectores que introduzem orações temporais: quando, enquanto, antes que, depois que, desde que, logo que, assim que, até que, cada vez que, todas as vezes que, agora que, sempre que, apenas.

Exemplos:
Quando você chegar, já teremos saído.
Carlos chegou depois que você saiu.
Conheço Maria desde que moro nesta cidade.

IMPORTANTE
Temporal: exprime tempo em relação na informação expressa na oração principal.

Oração subordinada adverbial comparativa

a) Comparativa de igualdade
Veja alguns conectores que introduzem as orações comparativas de igualdade: como, tal como, tal qual, assim como.

Exemplos:
Aquela menina é linda como (assim como) uma flor.

b) Comparativa de inferioridade
Veja alguns conectores que introduzem as orações comparativas de inferioridade: que, do que, em correlação, na oração principal, com as palavras menos ou menor:

Exemplos:
A festa durou menos do que os organizadores prometeram.
A economia do país cresceu menos do que seria desejável.

c) Comparativa de superioridade
Veja alguns conectores que introduzem as orações adverbiais comparativas de superioridade: que, do que, em correlação, na oração principal, com a palavra mais ou maior.

Exemplos:
Carlos é mais preparado para ocupar o cargo que André.
Aquela casa é mais bonita do que a minha.

IMPORTANTE
Comparativas: equivalem a um adjunto adverbial de comparação.

Apresentam-se sempre em orações desenvolvidas. Podem exprimir igualdade, superioridade ou inferioridade.

Oração subordinada adverbial concessiva
Veja alguns conectores que introduzem as orações adverbiais concessivas: embora, ainda que, ainda quando, mesmo que, conquanto, se bem que, posto que, sem que, apesar de que.

Exemplos:
Por mais que ele tenha melhorado, tem muita dificuldade em matemática.
Mesmo que chova, viajaremos amanhã.

IMPORTANTE
Concessivas: apresentam um obstáculo à execução da ação da oração principal.

Oração subordinada adverbial final
Veja alguns conectores que introduzem as orações adverbiais finais: que, para que, a fim de que.

Exemplos:
Faremos várias reuniões para que (a fim de que) o projeto se desenvolva bem.

IMPORTANTE
Final: exprime finalidade em relação à ideia apresentada na oração principal.

Oração subordinada adverbial proporcional
Veja alguns conectores que introduzem as orações proporcionais: à proporção que, à medida que.

Exemplos:
Ele se cansava, à medida que (à proporção que) andava.

IMPORTANTE
Proporcional: exprime uma informação que aumenta ou diminui na mesma proporção que se enuncia na oração principal.

Oração subordinada adverbial modal
Veja alguns conectores que introduzem as orações adverbiais modais: sem que, como.

Exemplo:
Não se pode viver sem que se sinta dor.

IMPORTANTE
Modal: exprime o modo, a maneira pelo qual acontece algo contido na oração principal.

Oração subordinada adverbial locativa
As orações locativas são equivalentes a um adjunto adverbial de lugar. Veja o conector que introduz as orações adverbiais locativas: onde.

ORAÇÕES REDUZIDAS
Chamamos a atenção, ainda, para o fato de que as orações subordinadas podem ocorrer no período sob a forma reduzida. O que significa isso? Vimos que há sempre um conectivo introduzindo as orações, tornando-se, inclusive, uma característica importante para identificarmos esse tipo de oração. No entanto, em períodos mais extensos, essas orações podem apresentar-se sem o conectivo, apenas com verbos na forma nominal, isto é, nas formas do infinitivo, gerúndio ou particípio.

Observe a diferença nos exemplos seguintes.
(12) Quando completar a ligação, avise-me.
(13) Completada a ligação, avise-me.

No exemplo (12), a oração subordinada é introduzida por quando e o verbo encontra-se no futuro do subjuntivo, completar. Trata-se de uma oração desenvolvida nesse caso.

Já no exemplo (13), não há nenhum conectivo ligando a oração subordinada à principal, além de o verbo encontrar-se na forma particípio, completada. Nesse caso, a classificação da oração subordinada passa a ser adverbial temporal reduzida de particípio.

Veja mais alguns exemplos de orações subordinadas substantivas reduzidas.
Convém observar sempre a cor das hortaliças. (subjetiva)
Oração desenvolvida: Convém que se observe sempre a cor das hortaliças.

Tive a sensação de estar sendo seguido. (completiva nominal)
Oração desenvolvida: Tive a sensação de que estava sendo seguido.

Mais um exemplo
Veja alguns exemplos de subordinadas adjetivas reduzidas

Havia um cliente reclamando do atendimento. (restritiva)
Oração desenvolvida: Havia um cliente que reclamava do atendimento.

Os produtos a serem exportados deverão pagar menos impostos.
Oração desenvolvida: Os produtos que vão ser exportados deverão pagar menos impostos.

Veja um exemplo de oração subordinada adverbial reduzida:
Comprando a prazo, não se esqueça de verificar a taxa de juros. (condicional)
Oração desenvolvida: Se comprar a prazo, não se esqueça de verificar a taxa de juros.

Se retomarmos o conceito de oração e seus constituintes que vimos no estudo do período simples, verificaremos que em um período desse tipo as orações que correspondem às subordinadas exercem funções dos sintagmas representados por substantivos, adjetivos e advérbios.

Geralmente as orações reduzidas de particípio e de gerúndio têm a função de adjetivas ou adverbiais, ao passo que é mais comum encontrarmos o infinitivo em orações subordinadas substantivas.

Portanto, quando houver esse tipo de construção, ou seja, orações subordinadas com verbos na forma reduzida (de infinitivo, gerúndio ou particípio), devemos transformá-las na forma desenvolvida para podermos classificar a oração, conforme exemplo a seguir:

(14) É necessário contar a verdade.
É necessário que conte a verdade.

A oração subordinada que conte a verdade é substantiva subjetiva, reduzida de infinitivo no primeiro período.

RESUMO
Hierarquia gramatical: vai do menor para o maior elemento, varia do morfema ao texto (morfema – palavra – sintagma – oração/período – texto).

Período simples: formado por apenas uma oração.

Período composto: formado por duas ou mais orações. Pode ser articulado por dois processos: a coordenação e a subordinação.

Período composto por coordenação ou parataxe: as orações têm uma equivalência, isto é, há um paralelismo e não há uma hierarquia das orações que compõem o período. No período composto por coordenação, há uma independência entre as orações pelo fato de elas apresentarem-se completas.

Orações coordenadas assindéticas: não apresentam conjunção.

Orações coordenadas sindéticas: apresentam conjunção.

1. Aditiva: adiciona orações.

2. Adversativa: contrapõe o conteúdo de uma oração em relação à outra.

3. Alternativa: contrapõe o conteúdo de uma oração ao de outra, com a ideia de exclusão de um em relação ao outro.

Período composto por subordinação: as orações que correspondem às subordinadas exercem funções dos sintagmas representados por substantivos, adjetivos e advérbios. Podemos relacionar os grupos de orações subordinadas às funções dos sintagmas que representam.

Orações subordinadas substantivas: têm funções exercidas pelo sintagma nominal. Se a oração substantiva equivale a um sintagma nominal, ela exercerá a função que este teria na oração complexa (ou período composto por subordinação) em que se encontra. Um método prático para reconhecer a oração substantiva é substituir a oração subordinada pelo pronome “isso”.

1. Subjetiva: exerce função de sujeito.
2. Objetiva direta: exerce função de objeto direto.
3. Objetiva indireta: exerce função de objeto indireto.
4. Completiva nominal: exerce função de complemento nominal.
5. Oração predicativa: exerce função de predicativo.
6. Oração apositiva: exerce função de aposto.

Orações subordinadas adjetivas: têm funções exercidas pelo sintagma adjetival. Tem a função que um sintagma adjetival teria em um período simples: predicativo ou de adjunto adnominal.

1. Explicativa: sintagma autônomo. Destaca-se na oração por seu isolamento, marcado pela pontuação, como o uso de vírgulas.

2. Restritiva: não se apresenta isolada. Está diretamente ligada a um núcleo substantivo e, por isso, não se coloca entre vírgulas ou outro tipo de pontuação.

Orações subordinadas adverbiais: têm funções exercidas pelo sintagma adverbial. Têm a função de modificar o verbo, indicando-lhe uma circunstância. É a ideia circunstancial que determinará a classificação desse tipo de oração.

Essa ideia, se estivesse expressa em período simples, seria estabelecida pela relação sintática de um adjunto adverbial.

1. Causal: exprime a razão relacionada à oração principal.

2. Condicional: exprime uma condição para que seja realizado algo que é declarado na oração principal.

3. Consecutiva: exprime a consequência do que está declarado na oração principal.

4. Conformativa: exprime algo em acordo com o que está expresso na oração principal.

5. Temporal: exprime tempo em relação ao que está declarado na oração principal.

6. Comparativa: exprime o elemento com que se compara a algo da oração principal.

7. Concessiva: exprime um obstáculo em relação ao que está declarado na oração principal.

8. Final: exprime um objetivo em relação à oração principal.

9. Proporcional: exprime uma informação que diminui ou aumenta em relação ao que se enuncia na oração principal.

10. Modal: exprime circunstância de modo em relação à oração principal.

11. Locativa: exprime lugar em relação à oração principal.

Orações subordinadas reduzidas: em períodos mais extensos, as orações podem apresentar-se sem o conectivo, apenas com verbos na forma nominal, isto é, nas formas do infinitivo, gerúndio ou particípio.