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O zé parafina que eu sou


Eu sou o cara que não estará nas arquibancadas verde-amarelas da Copa. Sou o “bola fora” da vez. Mas não abro mão de louvar Mentawai, na Indonésia, paraíso dos surfistas e terreno longínquo para o meu pobre par de chinelos, comprado em uma loja qualquer de surfwere.

Fujo do Mundial como quem foge da sogra em plena véspera de feriadão. Eu vou ficar aqui do Brasil celebrando, à distância, aquela rapaziada brasileira que faz bonito em cima de qualquer prancha em um swell. Eu vou permanecer com a emoção, na torcida por todos eles, seja lá em Pipe, na Austrália, ou em qualquer ilha do Oceano Índico.

Meu coração de fotógrafo-fã-torcedor tem lugar para todos estes figurões do brazilian storm: Alejo Muniz, Jesse Mendes, Gabriel Medina, Miguel Pupo, Ian Gouveia, Felipe Toledo e até mesmo para quem não pertence a esta terra futebolística, mas conquistou a minha admiração de observador, o americano talentoso John John Florence.

Não sairei do meu sofá, serei fiel ao som das ondas, às manobras de cada um a surfar a minha frente. Vou fazer a arruaça merecida pela vitória de cada um de vocês, brô. Quem disse que amigo de amigo não quer o bem do próximo? Cá estou para provar a vocês, adoradores do mar, que estou nessa de corpo, alma e lycra.

Mais importante que vencer qualquer etapa de um campeonato é viver o lifestyle de quem se abdica dos holofotes de chuteira e leva o prêmio de uma vida para casa.

Aos fenômenos do mar, obrigado por me mostrar que existe vida alternativa no esporte; por ter colocado fim ao meu tédio, reanimando o aventureiro que sempre existiu em mim.

É aquela coisa de confundir esporte com estilo de vida que todos buscam no verão, mas eu quero é para o ano todo, é para sempre. Em uma hora dessas já perceberam que eu sou um zé parafina asilado em território inimigo, né?

Fico de butuca só de ver o sorriso contagiante de Alejo, refletindo nas areia branca de Saquarema, sem contar o sotaque carregado que me faz lembrar a molecada da Ilha da Magia. Vibe de surfista é mole?

Veja só a concorrência mais fraternal que a irmandade maçônica. Miguelito Pupo que o diga com toda a sua discrição. Quer esconder o quê, moleque? Talento você tem de sobra!

Mas até agora ninguém fez um esforço para me salvar deste sertão sem pranchas. Ora essa, quem é surfista quer prancha, quem tem prancha quer surfar; para surfar tem que ter mar. Aposto que a coisa toda comigo aí seria outra. Afinal de contas, fotógrafo que é fotógrafo quer sempre pegar, pegar, pegar os melhore ângulos.

Pobre daquele que não sabe o que é surfar e, pior, não sabe apreciar o pôr do sol num fim de tarde no litoral deste Brasil tão vasto quanto os meus desejos de sol e praia.

Mas esses rapazes são sortudos em ter a vista que têm logo quando se espreguiçam pela manhã. Tem santo para quem é surfista? Por que se tiver, este será o meu padroeiro. Um salve a São Sebastião!

E quem se julga melhor, perdoai, meu bom São Sebastião, eles não sabem o que dizem. Não sabe o que pensamos e o que queremos. Surfista mesmo nunca teve que dar satisfação à gente que ama asfalto e cheira poliéster de terno e gravata comprados na Paulista.

De todos os “zés” que conheço, eu sou o mais dedicado à arte de acompanhar os brothers do mar. De todas as acusações vindas dos capitalistas selvagens, eu só posso ser acusado de um: o de ter interesse iminente em viver feliz!

Tudo bem que exista outra acusação na minha ficha existencial: já fui groupie de astro de rock e até de um unknow. Viva a liberdade do amor. Mas hoje sou um zé parafina de carteirinha, sou profissional.


Chego cedo do trabalho, da academia e dos rolés da vida e corro para a tv para plugar os olhos nos fenômenos do surf para o meu bel prazer.

Sim, zé parafina, quase um ofício.

E imagine o que é acordar às 6h da matina para acompanhar o atleta-doméstico que se auto intitula de surfista, meu brother, no treino; ajudá-lo a carregar todas as tralhas-equipamentos em direção à praia-carro e carro-praia; fotografá-lo em pleno sol a pino num calor de até 40º C, enquanto ele está dentro d'água, e você fervendo com uma lente nas mãos.

Essa é a árdua vida de um zé parafina. Coisa de moleque. Se alguns deles já são massageados pelo ego, imagine o que é contar com um particular?

Mas o melhor de tudo é que eu amo e defendo sempre essa galera que vive em outro mundo onde o badalo de ordem é feito pelo som de um ukulele e que me garantem amizade e momentos inesquecíveis nessa vida repleta de impressões.