Header Ads

LightBlog

O estruturalismo de Saussure e a análise do discurso

Foto: Reprodução

A linguística estrutural, iniciada por Ferdinand Saussure, embora reconhecidamente importante e definitiva para conferir à linguística o estatuto de ciência, por outro lado, limitou o campo de abordagens investigativas de seu objeto: separando rigidamente a língua da fala, o linguístico do extralinguístico e recortando para análise somente a “parte” da língua, em seu aspecto linguístico, apenas, descartando, assim, a fala e os aspectos extralinguísticos a ela vinculados.

Seja por necessidade ou imposição do momento histórico em que a linguística se constituiu, obedecendo a um padrão de ciência que exigia autonomia (em oposição à complementaridade), objetividade (em oposição à subjetividade) e descritivismo como aspectos fundamentais, seja por razões ideológicas que marcaram a produção do texto e da obra de Saussure (postumamente publicada por seus alunos), o fato é que tais “escolhas” deixaram marcas, lacunas, insuficiências que, ao longo dos estudos da linguagem, ficaram cada vez mais evidentes e sujeitas a muitas críticas.

No século 20, o pensamento científico determinava que, para um estudo ser reconhecido como científico, deveria estar ancorado nos critérios de cientificidade necessários à época. A ciência tinha de ser autônoma, objetiva e descritiva.

De modo geral, há três grandes problemas bastante criticados na linguística estrutural:

1. Toma como maior unidade de análise linguística a frase (e não o texto, o discurso, a enunciação).

2. Separa língua de fala (separação inaceitável nos dias de hoje) e com isso deixa de fora (“descarto”) o falante (o sujeito e todos os níveis de subjetividade na linguagem), a situação comunicativa, a variação linguística, os fatores pragmáticos do texto, discurso, enunciação, o contexto, as condições de produção da linguagem, a interação entre falante e ouvinte, autor e leitor, locutor e alocutário, as relações dialógicas entre os sujeitos da linguagem, tanto no nível interpessoal e intersubjetivo, como no nível intertextual e interdiscursivo.

3. Aborda muito superficialmente e insuficientemente as questões de sentido e significação na linguagem. Em decorrência disso, a partir da década de 1960, os estudos que se desenvolveram na linguística procuraram, cada um a seu modo, preencher os espaços dessas lacunas e insuficiências, buscando resgatar outros elementos de interesse dos estudos da linguagem exatamente naquilo que Saussure excluiu da linguística, a fala e o falante.

Esses novos caminhos trouxeram aos estudos da linguagem mudanças significativas e não somente acréscimos – criaram um novo objeto de investigação na linguagem, pautado pelas seguintes características:

- Deixou-se de ver a língua como lugar de representação apenas de significados objetivos ela é um meio convencional de agir no mundo (a pragmática dos atos de linguagem);

- Passou-se a considerar a linguagem como um instrumento de argumentação e de interação e não somente de informação (Ducrot e as teorias da argumentação, a sociolinguística interacional e a análise da conversação);

- Concebeu-se o texto (discurso) como objeto de estudos e não mais a frase como unidade de sentido: análise condicionada aos mecanismos de organização textual (as teorias do texto e do discurso e Bakhtin);

- Postulou-se a intersubjetividade em posição anterior à subjetividade: a relação entre interlocutores funda a linguagem, dá sentido ao texto e constrói os próprios sujeitos produtores do texto (os estudos de Bakhtin, as teorias pragmáticas e a análise da conversação);

- Caracterizou-se o discurso como espaço do social e do individual e definiu-se a linguagem pelo dialogismo em suas duas acepções: a do diálogo entre interlocutores (intersubjetividade) e a do diálogo que cada texto mantém com outros textos (interdiscurso e intertextualidade).

A seguir as mais relevantes áreas de estudos do texto e do discurso no Brasil, diferenciadas, segundo particularidades e perspectivas teóricas.
De acordo com Barros, há sete linhas teóricas sobressaem-se nos estudos do texto e do discurso no Brasil:

1. A análise do discurso (AD) francesa;

2. A análise semiótica do discurso, também iniciada na França;

3. A análise crítica do discurso (as teorias inglesas do discurso);

4. Os estudos funcionalistas do discurso;

5. A análise do discurso norte-americana, linguística textual;

6. A análise da conversação;

7. Uma última direção que reúne, de modo mais eclético, estudos que dialogam com a teoria da literatura, a semiologia, a pragmática e a semântica, Bakhtin ou Benveniste.