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Não me rendi ao querer


A culpa, na verdade, foi daquela maneira de como você se vestia no verão, ao se portar como gente mansa, bem educada. Eu relutava sem nenhuma insistência a chegar perto de você, ouvir tua voz e, então, fantasiar desejos. Ainda que eles fossem impossíveis por ora. Restavam-me apenas outras intenções (e tentações) menos arriscadas. Eu te queria a ponto de ficar ali sentado, tecendo em pensamentos o desenho do teu corpo na minha mente. Sem nenhum controle sobre os meus próprios impulsos, minha pele ardia, meus olhos fechavam lentamente com o peso do ardor que evaporava entre o vácuo mudo e os olhares que nos rendiam. Eu não mais suportaria outra aparição, voz ou toque, que ameaçasse, a curtas distâncias, pôr tudo a perder. Mas, por sorte ou obra do destino, a noite se foi sem nenhuma rendição ao querer.