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‘Merlí’, série que aborda filosofia e questiona educação formal, deveria ser vista por todo educador

Foto: Netflix

A série Merlí (2015) retrata a chegada de um professor de filosofia a uma escola pública de Barcelona para lecionar a alunos do ensino médio. Até aí tudo bem, no entanto, um detalhe curioso torna o roteiro mais propício ao desenvolvimento de efemérides que atormentam adolescentes nessa etapa da vida: Merlí Bergeron, o novo professor de filosofia, é pai de um aluno do último ano.

A trama envolve as personagens por meio de uma lente que revela problemas individuais e coletivos sob uma perspectiva existencialista. É possível dizer que cada personagem ao se envolver com Merlí – figura fulcral da série – se torna protagonista em determinados momentos ao longo das três temporadas.

Cada episódio tem como título o nome de um pensador ou mesmo de uma corrente filosófica, que tem suas ideias tratadas ligeiramente na sala de aula. A série chama a atenção especialmente pela maneira como aborda a pedagogia. A todo o momento o modelo da educação formal é questionado pelo professor e pelas próprias circunstâncias vividas no ambiente escolar.

Um dos pontos relevantes que eleva Merlí ao status de série primorosa é o seu conteúdo atípico, pouco comum ao público em geral que assiste à televisão, já que a série inicialmente foi exibida na tevê. Mesmo que de forma superficial e lépida, a produção catalã propicia uma abordagem com grandes pensadores, como Platão, Aristóteles, Kant, Nietzsche, Freud, Arendt, Foucault, entre outros.

A série envereda pela capacidade e disposição que cada indivíduo deve dispor para celebrar a sua existência, ainda que com certa estranheza, em um cenário que tem como plano de fundo o contexto do próprio tempo e o que acontece nele: a amizade, a sexualidade, o amor, a profissão, a família e a morte.

Há um episódio, por exemplo, em que Merlí apresenta a ideia de que “Deus está morto”, proposta por Frederick Nietzsche, e causa estranhamento a um aluno católico por sentir que sua fé devocional foi questionada. Em outro capítulo inspirado em Kant é possível encontrar uma reflexão acerca da ética. Assim, por meio da personagem central, a série sempre propõe aos jovens questionar tudo e todos, fazendo com que cada um se torne, então, uma espécie de filósofo da suspeita.

A terceira e última temporada de Merlí está disponível no catálogo do serviço de streaming Netflix desde fevereiro deste ano.