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‘Fake news’: usar ou não usar esta expressão?

Leandro Resende


Fake news foi eleita a “palavra de 2017” pelo dicionário britânico Collins e, em resumo, significa informação falsa que é disseminada sob o verniz de uma notícia. Até aí, pouca novidade, certo? Afinal, mentiras e boatos sempre foram contados mundo afora, atendendo a diversos interesses aqui e ali. O problema é que, com a interatividade e a expansão das redes sociais, a velocidade de disseminação de informações incorretas pode prejudicar a democracia, e a manipulação deliberada de conteúdo pode ser capaz de influenciar comportamentos – até o resultado das urnas.

Recentemente, Donald Trump, o presidente dos Estados Unidos, requereu para si o título de “criador” do termo fake news. Não há dúvidas de que ele catapultou essa expressão a sua máxima potência. Mas também não há dúvidas de que a utiliza para criticar reportagens que apontam problemas em seu governo ou são críticas a sua pessoa.

E sua lógica se espalhou pelo mundo. O “mantra” do fake news já serviu ao discurso de líderes autoritários em pelo menos 15 países. Na maioria das vezes, apareceu imerso em discursos que buscavam limitar a liberdade de imprensa. É isso que mostra um levantamento feito pelo portal de notícias Politico, dos EUA.

Dentro do universo do fact-checking, o uso do termo divide opiniões. Claire Wardle, líder da iniciativa First Draft, é contra a expressão F*** N***, como costuma escrever. E aponta três razões claras para deixar de usá-la de uma vez por todas.

“Estamos falando de um termo cunhado por Trump e usado por ele para atacar os jornalistas. É uma expressão paradoxal em si. Se é notícia, não pode ser falsa. E, por fim, ela não dá conta de todas as formas de mentira que existem hoje em dia, como, por exemplo, uma foto real com uma legenda antiga”, explicou ela no Festival 3i, realizado no Rio de Janeiro em novembro de 2017.

Mas há quem acredite que a luta contra a expressão fake news é em vão. Que melhor mesmo é juntar energias para derrubar as informações falsas que circulam por aí.

A Lupa, que há dois anos atua para combater a desinformação, entende o termo fake news como uma “arma”, utilizada por políticos e poderosos para tentar limitar o trabalho da imprensa. Por conta disso, seus checadores evitarão usá-lo daqui para frente. “Informação errada”, “falsa” ou simplesmente “propaganda” e “mentira” serão expressões adotadas pela Lupa daqui em diante.

Mas evitar seu uso não significa desconsiderar que, mesmo ambígua, a expressão fake news resume um importante problema com o qual a sociedade em geral e o jornalismo, em particular, precisam lidar. Por isso, mais do que iniciar uma cruzada contra as palavras, a Lupa se mobiliza para aumentar o número de checadores de plantão. Em 2018, o Brasil precisa de pessoas dispostas a verificar o grau de veracidade do que vê, lê e ouve por aí. Por aqui, uma certeza: a atenção será redobrada.