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Eu não mentirei no inverno

Foto: Will Assunção/JUP

Ao sentir as primeiras rajas do inverno, peço que não se importe comigo. Ás vezes eu sou assim mesmo, vou sempre olhar para o céu, para as estrelas, para a lua e me lembrar de um tempo que se foi. E se por acaso eu ficar distante, perdido, vagando solto pela noite, me perdoe, muita coisa aconteceu antes de você entrar em minha vida. Houve um tempo que eu acreditava no poder do amor. E, talvez, eu ainda acredite, mas muita coisa mudou de lugar, inclusive as minhas certezas. Eu andava, sorria e fazia planos com outro alguém. Mas eu quero que você continue comigo. Embora eu tenha que aceitar velhos hábitos que trago ao entardecer. Algumas músicas contarão histórias, certos lugares serão como eternos memoriais da minha vida, e alguns sinais do meu corpo serão como um guia de muitas lembranças.

Se quiser continuar nessa direção, terá que aceitar que um dia eu fui feliz com outro sorriso. E que certos detalhes não te pertencerão e nunca serão apagados, apesar de escolher ter seguido com você um novo caminho. Muita coisa não tem volta, eu sei. E é por isso que eu estou te pedindo desculpas com toda força que me restou. Eu não te amo. Seria traição de minha parte se você fizesse algo agora que me remetesse a outro tempo e eu sorrisse, tendo em mente lembranças de outros momentos em meus pensamentos. É por isso que quero que pense duas, três, quarto e quantas vezes você puder antes de aceitar a me ter como companhia nas frias noites do próximo inverno.

Talvez, você apenas tenha a minha própria solidão como companhia. E eu nem sempre tenha um sorriso a te oferecer. Não, eu não sou equilibrado, mas aprendi a ser forte. O que você vê é uma calmaria na superfície. A tempestade sempre acontece nas profundezas, dentro de mim. Eu não consigo mentir. Isso talvez possa te salvar de muita coisa; ou te colocar em total desespero, porque, talvez, eu não consiga mais amar outro alguém como eu amei no passado. A porta permanecerá sempre aberta e eu não costumo perturbar as pessoas com a minha companhia convidando-as ao meu encontro. Mas eu sempre sigo em frente com meu olhar de perdido. Quer segurar minha mão? Ela está fria, assim como a ponta do meu nariz. Há quem diga que meu sorriso ainda traz certo charme, mesmo carregando certas dores de estimação.

[...]

Pegue seu casaco, dê o fora enquanto há tempo. Você não sabe a enrascada que eu posso ser!...