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É tudo verdade: estou de caso com SP

Alguma coisa aconteceu com o meu coração ao cruzar a Ipiranga e a avenida São João, como sucedeu há alguns anos com Caetano. Até o momento, não sei bem o que houve no meu peito para que ele tenha ficado apertado e batendo tão forte. Mas um arrebate me deixou caidinho pela Pauliceia desvairada, assim que eu cheguei por aqui e nada entendia. Era tudo muito novo para mim. A primeira coisa que notei foi “a feia fumaça que sobe apagando as estrelas” em noites de céu limpo, como canta Caê, em Sampa, icônica canção sobre seu deslumbre por São Paulo.

Às 3h da manhã, quem não é daqui pode perfeitamente se confundir e pensar que já está amanhecendo pelo simples fato de tons alaranjados se sobreporem ao céu poluído da capital. No entanto, minha paixão pela cidade veio da compatibilidade de tudo que eu encontrei por aqui.

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

As luzes da cidade; o estilo de vida próprio da metrópole que impede o tempo de parar; a imponência que a megalópole exerce sobre todas as outras capitais do país; a arrogância dos seus concretos; a diversidade cultural que pode ser vista a olho nu; o charme da Avenida Paulista; os skatistas que cortam as ruas flutuando sobre quatro rodinhas; o amor pela arte; a paixão pelo samba; o jeito paulistano de ser e tantas outras idiossincrasias que por aqui encontrei. Eu estou tendo um caso com São Paulo e não escondo: estou apaixonado.

É claro que meu romance com a Pauliceia se estende a outras várias particularidades que a capital paulista oferece a quem se atreve a conhecê-la. E como já diz a velha máxima, os detalhes é que fazem toda a diferença. Por isso, listei alguns dos quais eu vivenciei durante minha estadia na terra da garoa e que fazem de Sampa um dos melhores lugares do mundo.

Chegadas e partidas

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

Os aeroportos foram pontos em que pude ver o quão preciso viajar para me renovar como pessoa. Passei um bom tempo nos dois aeroportos já que meu voo sempre estava marcado para Guarulhos e me hospedei próximo a Congonhas. Cruzei pelo caminho de gente com histórias diferentes de vários lugares do país: um carioca que quase perdeu seu voo para o Rio por causa do tempo do translado de um aeroporto a outro; uma estudante de Medicina belenense que veio visitar o namorado médico que faz residência em São Paulo; uma manauara muito gentil que tentou me ajudar a realizar o check-in pelo celular e uma senhora que aparentava passar dos 70 anos e estava ali, sozinha, planejando a viagem de sua família inteira.

O Carnaval de Sampa

Foto: Farofa com Paulista
Foto: Will Assunção/JUP

Como bom baiano, eu posso falar com propriedade de carnaval, festa que conheço desde que me entendo por gente. Seja o fuzuê de Salvador, o furdunço do interior da Bahia ou mesmo o samba com marchinha ritmado por uma bateria de escola de samba, em São Paulo. E opor isso é que eu digo que o carnaval de Sampa é um dos melhores que eu já vivenciei.

Pela Avenida Paulista, bloquinhos com marchinhas se unem ao legítimo axé music para celebrar a festa momesca; e a coisa não para por aí. Outros bloquinhos independentes saem pela Vila Madalena afora. Fui a vários deles e me senti seguro; não presenciei a violência presente em outros carnavais do Brasil, mesmo com 5 mil pessoas lotando cada via.

Acompanhava o trio fotografando e teclando pelo celular. Toda vez que alguém pisava em meu pé, eu ouvia um pedido de desculpa sincero e muito gentil. Dava para ver que quem estava ali apenas queria aproveitar o som, tomar uma breja gelada e ser feliz.

Starbucks na Av Paulista

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

Só quem é fã da bebida sabe do que eu estou falando. Sair às 18h do escritório e ir direto para a Paulista tomar um frappuccino mocha ou mesmo um clássico, enquanto confere mensagens pelo celular ou responde e-mails no notebook, em pleno coração de São Paulo, é um daqueles momentos em que você agradece por tudo isso existir.

Encontros pela Paulicéia

Foto: Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

A Pauliceia é surpreendente em todos os sentidos, inclusive quando se trata de encontrar alguém especial. Ter alguém para dividir cervejas em um bar de frente para ao Masp, meu ponto de referência; para jantar sempre às madrugadas; tomar banho de chuva em meio a bloquinhos carnavalescos; frequentar hamburguerias às 2h da manhã e dormir dentro do carro de um amigo, dividindo o banco traseiro, não é para qualquer um. Então, logo o escolhi para ser meu parceiro de aventuras pela maior cidade do Brasil.

Samba e toda a musicalidade viva em SP

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

O paulistano é apaixonado por um bom samba. E, durante minha estadia por aqui, eu acabei aprendendo a gostar deste ritmo também. Em qualquer parte da cidade é muito fácil encontrar música de qualidade. Mas, especialmente na Av. Paulista e na Vila Madalena, pude experimentar a energia que a música ganha sempre que é ritmada por uma bateria de escola de samba.

A imponência de seus concretos

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

São Paulo é imponente. Ela se sobrepõe sobre todas as capitais do país. A arrogância de seus concretos transcende o estereótipo de centro financeiro do Brasil, e traz também a arquitetura ao longo dos seus séculos de existência ao revelar a sua história. São prédios tão altos que parecem arranhar o céu.

Acesso à arte

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

A cidade respira arte e o acesso a museus, exposições, e outros espaços culturais é bastante fácil por aqui. Enquanto estive em São Paulo pude visitar a Pinacoteca do Estado e ver de perto os bonecos hiper-realistas do australiano Ron Mueck. Sem falar no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e outras mostras  que aconteciam pela capital.

Mobilidade urbana

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

É muito comum você ver o paulistano reclamar do transporte público de São Paulo. Mas o que para eles está ruim, para nós do restante do país, está ótimo. Com as várias linhas do metrô que cortam a cidade, além da frota de ônibus disponível, é relativamente fácil se deslocar pela metrópole e economizar tempo, sendo possível agendar mais de três compromissos por dia. O que seria praticamente impossível em outras capitais do país.

A Av Paulista

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

A avenida mais famosa da cidade é também o maior símbolo do seu poder. O centro financeiro de São Paulo concentra os maiores empreendimentos da cidade e é orgulho dos paulistanos. A Avenida Paulista também reúne espaços dedicados à arte, a cultura, a educação e a gastronomia. Á noite, aquele lugar se transforma em um verdadeiro um verdadeiro festival de música a céu aberto com diferentes ritmos musicais como: rock, pop, jazz, folk, blues e, claro, um bom samba.

O Ibira

Foto: Will Assunção/Jussi Up Press
Foto: Will Assunção/JUP

O Ibira, como o Parque do Ibirapuera é chamado pelos paulistanos, é a área verde da cidade mais famosa e oferece diferentes opções de lazer. Por lá, pude ver a molecada andando de skate, patins, bicicleta, praticando slackline e até mesmo descansar em uma rede pendurada nos troncos das grandes árvores espalhadas pelo parque. Por mês, cerca de 1,2 milhão de pessoas passam pelo Parque do Ibirapuera que possui 50 obras de arte, entre esculturas, monumentos e mobiliário urbano.

Muito mais!
É claro que São Paulo tem muito mais a oferecer para a sua população e aos visitantes. No entanto, eu aproveitei ao máximo tudo o que pude conhecer. Mas existe sempre algo que marca mais, que deixa impressões na gente. Como no amor, há sempre uma singularidade particular que nos prende e acaba nos fazendo render sem muita explicação.