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Chovia enquanto a vida parecia diminuta


Nós dois estávamos ali, debaixo uma neblina fria que caía em um fim de uma tarde no meio do verão, envolvidos pelas lembranças de um passado remoto, enquanto a vida parecia diminuta. Ele sorria como quem houvesse desacreditado na realidade, e quão ela podia ser difícil nos poucos minutos que seguiriam. Por algum instante, o seu sorriso era de alguém que possuía uma leveza capaz de irradiar alegria contagiante.

Conseguintemente, no momento em que nossos olhos se encontraram, eu finalmente tinha a certeza de que aquele olhar inseguro e perdido, atônito, pertencia ao único amor de uma vida inteira. Senti suas mãos tocarem meus braços com a sutileza própria que sempre tivera, nossos rostos ficaram tão próximos e alinhados, que eu sentia a intensidade da sua respiração.

Ele ficou em silêncio, pestanejando em dizer algo ou desejando uma declaração com a força descomunal de uma revolução vinda diretamente de dentro de mim, na discreta esperança de ouvir o que somente um homem, com um genuíno sentimento, seria capaz de arrancar do próprio peito. Mas eu não disse nada.