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Análise do discurso atualmente


AD passou a fazer fronteira interdisciplinar com outras disciplinas: sociolinguística, etnolinguística, análise conversacional, teorias da argumentação, da comunicação etc.

Mesmo sendo visto por alguns de forma restrita, reducionista, o domínio da AD permanece ilimitado – discurso jurídico, religioso, político, pedagógico, sindical etc., ou discurso da gramática, imprensa, militante, publicitário etc., ou ainda questões que atravessam essa ou aquela coletividade, minoria, em dada conjuntura: discurso homossexual, racista, feminista, indígena, sobre os deficientes etc.

Daí se constata a possibilidade de construção de uma infinidade de objetos de análise.

Por que a AD pertence ao campo da linguística?
Após acompanhar as reflexões até aqui, você é capaz de responder à pergunta acima? O que diferencia a AD das outras práticas de análise de texto é justamente a utilização da linguística ou ainda a maneira como essa teoria recupera os aspectos linguísticos que se relevam em um texto. Ela não se prende necessariamente a este ou àquele ramo teórico (fonologia, morfologia, sintaxe...), mas atravessa o conjunto de ramos da linguística.

A AD, mais do que simplesmente fazer parte do arcabouço teórico da linguística, opta epistemologicamente pelos mecanismos de análise linguística, mas sem restringir-se apenas a eles “é preciso ser linguista e deixar de sê-lo ao mesmo tempo”, afirma Maingueneau.

Tal perfil a faz muitas vezes conhecida como disciplina periférica, pois as áreas mais formais da linguística julgam que o tratamento linguístico em AD é superficial e insuficiente, já que, por sua vez, observam na linguagem prioritariamente os seus aspectos formais, objetivos, deixando de fora da análise as múltiplas questões que integram o componente linguístico da linguagem à sua exterioridade e historicidade em dadas condições de produção, atendidas por um sujeito de uma relação e posição hierárquica e determinada social e ideologicamente.

Hoje, o pensamento científico, bem como as políticas científicas e (mais institucionalmente) as agências de fomento à pesquisa (Capes, CNPq, Fapesp etc.) entendem que a ciência é composta de múltiplos pontos de vista, de diferentes verdades, não necessariamente unificadas, de modo que o mesmo objeto pode ser passível de diversos olhares e métodos de investigação, podendo dar muitas respostas às muitas perguntas que se possam fazer sobre esse mesmo objeto.

Assim acontece com os fenômenos da linguagem, que em sua natureza rica, múltipla e heterogênea permitem várias análises, e vários pontos de vista (verdades) ganham espaço para se instituírem e destituírem-se em compatibilidade ou em total dissidência com outras áreas de estudo. Assim é que na grande área da linguística há espaço para as pesquisas de natureza mais formal, objetiva e descritiva (a chamada linguística hard), e há espaço também para os estudos mais informais, funcionais e discursivos dos fenômenos linguísticos, tanto que, nas últimas décadas, houve uma verdadeira explosão de novas áreas.

ALTERIDADE
Você não pode perder de vista que para a configuração teórica acerca do processo de determinação sócio-histórico-ideológica na construção da subjetividade e da alteridade constitutivas do assujeitamento ideológico, são influências fundamentais as contribuições do pensamento de Marx (via Althusser) sobre os aparelhos ideológicos do estado e a determinação ideológica do sujeito; e de Freud (via Lacan) sobre o processo inconsciente que constitui a subjetividade na relação com a alteridade.

Michel Pêcheux faz uma releitura destes autores e incorpora suas contribuições ao arcabouço teórico da AD. Vejamos a seguir uma breve apresentação do pensamento desses autores e de como Pêcheux os recupera para a AD.