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Toddy

Toddy. Eu o conheci de maneira não convencional. Dois segundos foram necessários para ele se esbarrar bruscamente em mim e arregalar seus grandes olhos claros. Abriu a boca demorando mais alguns segundo para as primeiras palavras serem ditas. Então, a primeira coisa que seus lábios fizeram foram me perguntar onde ele poderia comprar cerveja àquela hora da noite. Eu disse que existia uma tenda, a cerca de trezentos metros de ele estava. Lá, ele poderia encontrar alguma bebida gelada, mas que já deveria está fechada, afinal já passava da meia noite.

Foto: Reprodução
Voltei para dois amigos, que estavam comigo na escadaria de uma igreja, e me ajeitei da forma mais confortável por causa do frio. Comecei a beber um pouco da Heineken que havia sobrado da noite anterior, quando havíamos ficado bêbado em cima de um morro, e tentei procurar um modo de fazer funcionar a box de som, mas o volume parecia está quebrado. Por sorte, o botão do volume firmou, de modo que pude ouvir a voz de Alex Turner.

É minha música favorita!, disse uma voz vindo do meu lado esquerdo. Com um par de tênis sujo, uma calça desbotada, um tanto velha e rasgada nos joelhos. Com cabelos cor de limão, olhos acinzentados, encobertos por uma franja que conferia certo mistério ao seu rosto reto e alinhado. Uma boca de dentes certos e amarelados, sinal de que perderam a brancura aos dezessete anos. Eu não saberia dizer, se a impressão que tive da cor desbotada dos seus dentes era pela brancura aveludada da sua pele que fazia um contraste com qualquer outra parte do seu corpo, ou simplesmente porque tudo nele era estranhamente inusitado naquele corpo angelical.

Toddy não tinha nenhuma pretensão em estar ali naquele momento, pelo menos era isso o que diziam os meus pensamentos. De alguma maneira, a infelicidade ou a áurea de perdido nos uniu em um único lugar e instante. Nem sequer demonstrou interesse em se aproximar no primeiro instante. Mas algo que me pertencia o seduzia, e eu sinceramente não sabia dizer o que era.

O frio que fazia naquela época do ano, nos obrigava a reunir em lugares onde as correntes de vento não alcançassem nossos corpos. O termômetro marcava 14º C e eu, desesperadamente, não suportava a sensação de 12º C que fazia naquela calçada gelada. O céu era preenchido de estrelas com um brilho tímido, encobertas por nuvens torneadas com tons esbranquiçados.

De repente e sem explicação, Toddy permanecera ali. O garoto de cabelos cor de limão já havia se incorporado a minha rotina e se tornado a minha melhor companhia durante aqueles três meses. Como dois amigos que não se viam há anos, nós ficávamos conversando todas as noites debaixo de postes com luzes opacas e encobertas de uma neblina, graças a um frio incomum que fazia daquela estação um tempo perdido, e, pelas circunstâncias empregadas em nossas almas, acabou se tornando um dos melhores invernos das nossas vidas.