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O aventureiro


Por sua vez, o inverno não trouxera grandes decepções para ele. Pelo contrário, veio acompanhado de um sorriso tenro que aquecia sua alma, antes ressequida pelo sofrimento causado por um estranhamento das próprias experiências trazidas pela sua vida, ao se deparar brutalmente com as de outras pessoas com quem passara brevemente um tempo, e logo se despediria. Havia um sentimento incrustado no peito, antes desconhecido, mas que neste momento o impulsionava a viver outras grandes aventuras pelo mundo. Queria agora estar em Paris, e logo depois em Amsterdã. Mas nunca no mesmo lugar. Era a sede de viver o mundo, de sentir outras pessoas. Era mais necessidade que desejo. Na verdade, não sabia bem o que era. Talvez, a vida correndo pelo seu corpo, como o sangue que percorre as veias em um movimento constante pela vida; as cores e outros sabores passavam pelos seus olhos, pelos seus lábios. O aventureiro só tinha certeza de uma coisa, se arriscar custou-lhe todas as certezas, antes mantidas intactas, quando ainda não conhecia o resto do mundo.