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Em mensagem de despedida, esposa e filhos ressaltam memórias de Almir Luz: ‘E agora ele foi morar com Deus...Viva!’


A ex-primeira-dama Maria Telma Paiva Luz e os seus cinco filhos escreveram uma mensagem de despedida em que ressaltam as memórias de Almir Silva Luz como marido e pai. 

O ex-prefeito Almir Silva Luz morreu na manhã desta quinta-feira (26), às 7h05, no Hospital São Vicente de Paulo, em Vitória da Conquista, na Bahia. O anúncio foi feito pela família às 9h20.

Almir Luz havia sido diagnosticado com carcinoma hepatocelular, um tipo de câncer que atinge as células hepáticas. No entanto, a doença estava sob controle e ele vinha sendo tratado em dois hospitais de Belo Horizonte.

Na última semana, ele teria sofrido uma queda da cama e atingindo a cabeça, o que levou o ex-prefeito a ficar em coma induzido por precauções médicas. No entanto, o quadro do ex-prefeito se agravou desde então. 

À Jussi Up Press, seu filho Antônio Landulfo Luz Neto disse que o ex-prefeito morreu em decorrência de um traumatismo cranioencefálico, após sentir tontura e bater a cabeça, sofrendo um derrame. Sendo diagnosticado em seguida com falência múltipla de órgãos. O ex-prefeito havia ficado 14 dias entubado e sob efeito de medicamentos fortes, e morreu sem dor, informou o filho do ex-prefeito. 

Abaixo, a mensagem dos filhos e da esposa do ex-prefeito Almir Silva Luz:

É assim gente, nada que nós venhamos a escrever poderá transmitir sentimentos e o que significa este homem a quem temos o prazer de ter como pai... “eu não sei em que hora dizer, me dá um medo, que medo, mas nós precisamos dizer que eu te amamos, TANTO”.

Nosso pai tem cheiro de terra molhada, de café com pão e manteiga, de bolinho de chuva em tardes frias, de tangerinas sendo descascadas, de baldes de laranja, de raspas de requeijão quente, de flor de laranjeira (nosso pomar era imenso e tinha de tudo). Tudo mesmo!

No nosso quintal particular, nosso parreiral pendia, de um lado, chuchus e, de outro, uvas roxas. Hoje eu não consigo entender como numa casa de cinco filhos e muitos familiares, afilhados e sobrinhos, a fartura era uma coisa corriqueira. Era o milagre do trabalho sendo compensado. Acho que gosto tanto de trabalhar, porque assim vimos nossos pais fazerem por todas suas vidas e sendo felizes.

Naquelas entrevistas de escola sobre a profissão de meu pai, eu, Antônio Neto, nunca sabia bem o que responder. Ele era agricultor, empresário, caminhoneiro, foi amigo, foi a lei na forma de conselheiro, foi prefeito sem medo de ser eleito. Em tempos tão sombrios na política, na minha cidade, não há quem diga que ele não foi um prefeito trabalhador e que deixou marcas eternas e positivas para todo o sempre.

Esperar nosso pai chegar das viagens de caminhão, sempre era muito bom. Caixas de bacalhau eram trazidas por encomendas para a cidade toda. E de presente para toda a família. As maçãs argentinas enroladas no papel azul de seda eram lindas e cheirosas, mas eu, Antônio Neto, em especial, preferia a goiaba e as frutas do meu quintal. São tantas boas lembranças de infância que viraram admiração para sempre.

Eu, Antônio Landulfo Luz Neto, fui um típico adolescente que deu trabalho. Apesar de ter excelentes notas na escola, vez ou outra, ameaçava perder de ano, apesar de nunca ter ocorrido... neste tempo perdi um pouco do olhar para o meu pai, e fui olhar para as meninas. Como o tempo é um “senhor tão bonito”, passou, virei um homem e, então, pude perceber, de novo, quem era aquele homem: que era capaz de dividir o pão dos filhos com irmãos, parentes, afilhados, amigos e até estranhos. É claro, nas fases difíceis fomos muito ajudados também.

Vamos parar de escrever e, enfim, agradecer pelos 79 anos de LUTAS e VITÓRIAS que este homem travou na vida. Nosso pai está fora da curva, para cima. Ele é um FORTE. Um homem inigualável. Os defeitos de nosso pai... ah, ele tem muitos, só que o maior deles sempre foi o de amar demais. Pensamos que quando errou, errou por amor. Mas ele realizou tudo o que quis e imaginou. Nunca vimos nosso pai dizer que queria viver algo que não viveu. Ele apenas sente por aqueles que não viveram e por aquilo que ele gostaria que, se pudesse, faria de tudo para aquela pessoa viver.

Agora ele foi morar com o Pai Celestial

Viva Almir, homem da lei!