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Velvet Underground toca no rádio do meu taxi

Foto: Will Assunção/JUP
Voltei a minha vida de barezinhos e pubs, calça jeans rasgada no joelho, cerveja artesanal, cigarros (respirando toda fumaça expelida pela boca de meus amigos), som dos The Strokes e a melhor companhia que eu poderia desejar: gente que não tem medo de ser feliz! Em 2009, a vida anda muito tediosa para ficarmos levando questões do cotidiano a sério; beber cerveja e discutir qual foi a última música mais bem composta dos Strokes parecia à época mais interessante. Amor é um assunto que apenas aparece como teoria, e ninguém parece estar muito preocupado o bastante com ele a ponto de levar alguma consideração a sério.

Naquele pub fechado e abafado, eu saio por volta das duas e meia da manhã. Pego um taxi, me jogo no banco de trás um pouco bêbado – para não dizer completamente out – e volto para casa pensando como será a minha vida daqui a alguns meses. Em breve, eu estaria livre. Com o freio do taxi, eu me desperto e fico incomodado com as luzes que refletem em meu rosto. Meus olhos ardem com a claridade dos faróis e percebo que já estou próximo de casa.

Ao som da voz de Nico, em alguma canção de Velvet Underground, o motorista parece não ter se importado muito com minha apatia. Tiro algumas notas de dez, entrego bocejando ao taxista que comentou como aquela noite havia sido parada e, sem reagir ao seu comentário, coloco os fones do mp3 no meu ouvido e começo a ouvir MGMT. Cumprimento o porteiro com um aceno pouco entusiasmado, um modo de evitar qualquer palavra amigável àquela hora da noite, e torço mentalmente para que o elevador não demore muito a chegar. Finalmente em casa, me jogo na cama, tiro meus tênis sem sentir direito o meu corpo e me entrego, já sem forças e quase que inconsciente, ao sono.