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O segredo da longevidade, segundo Ana Rita

Foto: Reprodução/Tonino Cavallari
Era sempre encantador ver, aos 97 anos, tia Rita, como era chamada carinhosamente por todos que a conheciam, distribuir gratuitamente alegria e força para viver. Com toda a graça que encontrava nas coisas simples da vida, ela revelou certa vez os segredos da longevidade. Dizia ter no cardápio coisas que as pessoas, hoje em dia, não comem ou acham estranho ter no prato, como folhas e verduras da região. Sem cerimônia, declarou excluir da sua dieta carne e leite. 

Sempre com um sorriso estampado no rosto, como quem ainda tem muito a ensinar aos que pouco viveram, Ana Rita encontrava disposição para sambar reisado, pois ela dizia não ter hora certa para acabar o batuque quando saía com a rapaziada. Entre um gole e outro de cachaça, mas, de forma maneirada, ela também pita seu cachimbo que a fazia relaxar. Fumava sempre quando terminava alguma atividade doméstica em casa. Gosta de televisão, mas assistia apenas o que considera necessário, dizia.

Ana Rita esnobava a tecnologia disponível nos dias de hoje, incluindo a danada da “tal da net”, como se referia à Internet. Ela não esconde o prazer que sente em preparar sua própria comida, que muitas vezes é requisitada por gente que mora fora, inclusive, na capital, e que faz questão de comer os pratos de tia Rita, quando visita a terra natal. Sem contar que ela também cozinhava para os netos e bisnetos que colecionava.

Ter o privilégio de conversar numa manhã ensolarada com uma figura emblemática como Ana Rita foi conhecer um pouco do dom da vida e reviver a história de Jussiape. A centenária, que só foi registrada anos mais tarde do seu nascimento, chegou a Jussiape, na região da Chapada Diamantina (BA), onde morou a maior parte da sua vida, fugindo da fome provocada pela crise que se alastrou pelo Brasil, nos anos de 1929 e 1930, em quase todos os estados.

Uma das lembranças que sempre voltava à sua mente é a de chegada ao município, onde passou o resto da sua vida. Entre as tantas lembranças que vagavam pela sua memória, ela conseguia recordar de uma vez que se deparou com uma loca de pedra, próximo ao local onde ergueu a sua casa, e lá encontrou cachimbos de índios, e logo seriam dados de presente para o acervo do Museu de Antiguidades de Jussiape.

No mais, tia Rita dizia que viver é isso. Não tem muito segredo.

Ana Rita faleceu em 15 de fevereiro de 2014, em Jussiape. A causa da morte foi registrada como senilidade.