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Câmara vive tensões rebarbativas

Ao fundo a vereadora Vanusa Medrado discursa em sessão plenária da Câmara de Vereadores de Jussiape Foto: Will Assunção/JUP

Desde a última sessão do dia 9 de março, passando pela penúltima do dia 16, é possível notar uma estranheza carregada nas sessões plenárias da Câmara de Vereadores de Jussiape. Apesar de a oposição, em nenhum aspecto, ter alterado sua postura, a base do governo tem feito claras sinalizações ao Executivo.

O discurso da vereadora Vanusa Medrado (PRP) sintetizou de forma aberta o aceno não apenas da vereadora, mas de outros parlamentares que já evidenciam certo desgaste com o governo do prefeito emedebista Eder Jakes.

Em tom firme e sem demonstrar recuo de posicionamento, Vanusa Medrado tem endossado seu discurso contrário aos projetos enviados pelo Executivo.

Ao levantar questões no que diz respeito aos projetos enviados à Casa, a vereadora deixou claro que “não pode contratar funcionários, senão através de concursos públicos efetivos ou temporários”.

A vereadora disse ainda que se deparou com alguns projetos, os quais ela não concorda, mas reiterou que o exposto pertence ao manifesto de um pensamento democrático.

Vanusa Medrado ainda fez um alerta para o voto equivocado em projetos os quais os vereadores não concordam. No discurso, a vereadora aborda também a projeção de salários de funcionários da saúde, assim como um plano de carreira para a categoria.

A vereadora é concisa ao debater na Câmara sobre a defasagem dos salários de profissionais de diversas áreas. De acordo com Vanusa, é provável que “este seja o momento para se fazer algo”.

A vereadora ainda questiona o valor que deverá ser pago a um técnico de enfermagem, previsto no projeto que cria cargos de natureza efetiva. “Não tem como, não é legislando em causa própria”, disse a vereadora que é efetivada, através de concurso público, como técnica de enfermagem.

A vereadora, que compõe a tríplice do PRP na Câmara, ainda afirmou que ficou claro, inclusive, para o Executivo que ela questionou os projetos enviados pelo prefeito. Ela complementa ao dizer que um plano de carreira e salários deverá ser enviado para o gestor do município para ser analisado.

Na última sessão do dia (16), o vereador José Roberto (MDB) questionou a disparidade de salários previstos nos projetos que criam cargos públicos de natureza efetiva e temporária, através de concursos públicos, enviados pelo Executivo ao Legislativo.



O que é posto por diversos vereadores é um questionamento que vem sendo acompanhado também pelos próprios servidores públicos durante a tramitação dos projetos pela Câmara – salários muito abaixo dos prospectos do mercado.

Vanusa Medrado, que pertence à base do governo no Legislativo, ressaltou que não houve uma concordância entre alguns vereadores e o prefeito sobre os projetos enviados à Câmara, já que, da forma que eles foram enviados pelo Executivo, compromete a carreira e os salários dos servidores públicos.

A vereadora foi firme ao dizer que se o projeto não for revisto, votará contra o prefeito. Emocionada, a vereadora leu, no fim do seu discurso da última sessão, uma mensagem que ilustra a vida dos profissionais de saúde, em especial os técnicos de enfermagem.

Edilando Brandão (MDB) afirmou que só votará no projeto se a classe se mostrar satisfeita, caso contrário “nem ler o projeto, eu vou; eu sou contra”, disse. Brandão aproveitou para elogiar a coragem da vereadora Vanusa Medrado por ela “ter abraçado a causa” dos profissionais de saúde do município.

A aprovação dos projetos implica em um dilema para os vereadores, pois a pressão popular pela criação de empregos é crescente, mas, do outro lado, existe uma parcela visivelmente insatisfeita com os baixos salários previstos nos projetos.