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Sem distinções, eu gosto mesmo do brasileiro

Ygor Reis Foto: Will Assunção/JUP

Afinal, entre vocês, melhor, entre nós, existe a preferência, no momento do convívio, ou de quaisquer tipos de relacionamentos, por pessoas de algum determinado estado? O fluminense é mais legal que o paulista? (Sabe, aquela velha birra polêmica do “biscoito ou bolacha”?); qual dos dois esbanja mais sensualidade: o baiano ou o mineiro? E os gaúchos? São mesmo os mais bonitos da nação? E se você pudesse escolher com quem se relacionar no seu próprio país? Ou, melhor, se houvesse a alternativa de pertencer à determinada população do Brasil? Você seria guiado por alguma predileção e optaria por escolhas inclinadas a um prejulgamento? Mas, peraí!, seria mesmo preconceito dizer que sim?

Enquanto eu contava mentalmente as pintas que surgiam, quase que imperceptíveis a olhos desatentos, nas costas do meu amigo-irmão, reveladas por um sol de verão, sempre que a gente ia à Lagoa para deitar sobre o gramado verde e sonhar com o mundo, eu pensei que ele poderia se passar facilmente por um florianopolitano, ou, melhor, por um manezinho – termo utilizado para designar os nativos da Ilha de Florianópolis pelos próprios catarinenses -, se não fosse pelo sopro de calor e ternura que o contorna. Ele se comporta quase que completamente como alguém que nasceu na Ilha: gosta de skate e surf, apesar de ter o futebol como segundo esporte; mantém um gosto, que beira a paixão, por animais, especialmente por cães, e seus estilos musicais são bastante característicos, passando pelo rock e o reggae. Entretanto há nele um toque doce em seu comportamento que só pode ser encontrado em nordestinos: uma bondade altruísta que me força a retomar a fé nas pessoas. Ygor é de Maceió. A capital do estado do Alagoas, na costa do nordeste brasileiro.

Não que as pessoas do sul não sejam amigáveis, pelo contrário, elas são muito gentis e prestativas na medida do possível. No entanto não dá para deixar de notar certas formalidades em momentos simples e, por mais que eles neguem, não é tão fácil fazer amizade por lá. Cá, no nordeste, facilmente as cerimônias são dispensadas e substituídas por um dedo a mais de prosa, que logo evolui para confidências existencialistas. Fazer um grande amigo em Salvador, na Bahia, por exemplo, requer simplesmente simpatia e ocasião. O resto é por conta do baiano.

Em 2010, quando eu não passava de um recém-formado na universidade e começava minha empreitada em busca de um lugar para começar uma vida nova ou dar continuidade à velha, repleta de divagações que precisavam ser resolvidas, eu estava decidido a passar um tempo em algum ponto não específico do país. Comecei a levar em conta o fato dos tipos de gente que encontraria pela frente. Este, por sinal, era o item que ocupava o posto prioritário da minha lista de pré-requisitos básicos para a escolha de uma cidade onde eu fosse, sei lá, viver. Como quase todo mundo que tem vinte e poucos anos e quase nenhuma vivência de mundo ou mesmo a experiência de ser independente, eu comecei a rotular as pessoas pelo lugar onde viviam, ou, talvez, o lugar pelas pessoas que lá viviam. Na verdade, não sei ao certo como foi exatamente, mas esse era o meu pensamento naquela época.

Naquele tempo surgiram, é claro, as opções de outros países. Quem nunca sonhou em morar em Nova York e andar pelo Central Park no outono? Ou almoçar em um dos melhores restaurantes do mundo em Paris? Desfrutar da brisa copiosa de sensualidade em Roma? Eu desejei viver todas essas cenas, mas, de qualquer forma, temos de convir que se mudar para outro continente não seria lá coisa fácil para um estudante recém-reformado. Pois além de eu ter que dispor de alguma grana enquanto não me virasse sozinho por lá, eu precisaria ter planejado com certa antecedência esses novos passos. Contentei-me com o Brasil, o que para mim, por enquanto, estava de bom tamanho. Eis que me surgiram à cabeça:

Salvador
Comecei por Salvador, capital com quase 3 milhões de habitantes, onde eu já havia vivido por aproximadamente cinco anos e mantinha uma relação de enorme apego. Talvez pela simples razão de ter grandes amigos morando por lá e ter passado a maior parte da minha adolescência. Ainda assim, o que mais me encantava entre os soteropolitanos era o fato de serem acolhedoras e felizes. Apesar de todas as mazelas do cotidiano da cidade, era fácil ver o sorriso brotar no rosto de qualquer um que vivia na capital baiana.

O que, porventura, não me fez escolher a Cidade do Salvador, como originalmente foi batizada, para passar mais sequer um ano da minha vida foi uma série de fatores que envolviam a violência crescente, desemprego, pouca diversidade cultural, alto custo de vida e a distância entre alguns amigos com quem eu mantinha aceso os mesmos planos de sair mundo afora.

O soteropolitano é o tempero agridoce no caldo de mistura cultural que forma o Brasil. Passa boa parte do seu tempo reclamando da vida que leva na cidade, mas sempre está envolto por uma magia estampada no rosto e no corpo. Vive atrás de um batuque para festejar qualquer acontecimento. É sempre muito solicito, mesmo quando não o quer ser. Se fosse para mensurar um sortilégio qualquer que o soteropolitano (ou o baiano) herdou de alguma entidade do candomblé e mantém escondido no olhar, eu diria que é a sensualidade. A Roma Negra, como diria Caetano Veloso, possui uma aura mística, que interfere na libido de qualquer mortal.

Assim como em outras grandes cidades brasileiras, a diversidade de cores vista nas pessoas em Salvador é outro ponto que se torna fascinante: há negros, brancos, ruivos e mulatos – permitindo uma variedade de cores. Considera-se alguém solitário? Na capital baiana é muito fácil se tornar amigo de qualquer pessoa e frequentar a casa do seu mais novo camarada logo em seguida e, por descuido do destino, a amizade pode durar para sempre. Apesar disso, não é fácil encontrar quem goste das mesmas coisas que você. Mesmo sendo coisas simples, como música, esportes, filmes e outras afinidades.

Rio
Em seguida veio o Rio de Janeiro, a cidade dos sonhos da minha adolescência. É que lá pelos treze ou quatorze anos, quando eu ainda era um moleque de pele macia e esturricada do sol abrasador que fazia no verão do litoral baiano, eu sempre sonhava acordado com a Cidade Maravilhosa. Naquela época, todos os meus melhores amigos passavam o verão aproveitando o melhor da orla carioca: dias inteiros nas praias mais famosas e desejadas do Brasil; passeios de bicicleta pelo Recreio, passeio de skate ou mesmo a pé pela zona sul do Rio, uma corrida rápida antes do almoço pelo Arpoador; uma passadinha pela Gávea só para reunir mais amigos, já à tardezinha para caminhar pela Lagoa Rodrigo de Freitas e voltar para casa de carro ao som de bossa nova (naquela época, graças a Manoel Carlos e suas novelas, especialmente Laços de Família, eu havia sido apresentado ao estilo musical pelo qual me apaixonaria perdidamente à primeira escuta e, logo, se tornaria um dos meus sons preferidos para toda a vida), aproveitando o ar condicionado no calor infernal que faz nesta época do ano entre os prédios do Leblon. Todas essas possibilidades despertava em mim uma vontade incontrolável de viver no Rio.

Passaram-se os anos, eu cresci e me transformei. E ao que tudo indica o Rio também seguiu os seus passos. Apesar do Rio de Janeiro continuar lindo e manter intocável o seu título de Cidade Maravilhosa, a violência havia crescido assustadoramente por lá e roubado parte do charme que me atraía. A década de 1990 e os primeiros anos do século 21 haviam ficado para trás. O terror estampado nas primeiras páginas dos jornais causava bastante medo a um garoto que jamais se imaginou tendo uma arma de fogo apontada para os seus olhos.

O carioca destila muita alegria e entusiasmo. Bonito e malandro por natureza, eles estão sempre dispostos a topar qualquer coisa que os desafiem. Aquela história de venerarem o pôr do sol não é mito, além de estarem sempre preocupados em manter o corpo em forma. O fato é que o verão costuma ser a melhor época do ano para qualquer carioca. Diversão é coisa levado a sério por lá, e o trabalho só compensa se no final do dia (ou da semana) tiver uma gelada de colarinho branco ou se o mar estiver esperando para um mergulho que vai lavar a alma. Mas não se engane com algumas peculiaridades dessa gente que fala encantadoramente estralando e chiando, ao dizer, depois de tomarem juntos um chope, para “aparecer lá em casa amanhã”. O que ele, na verdade, quis dizer foi o seguinte: “foi bom ter compartilhado contigo este momento, até mais ou nunca mais”. Sempre sensuais, eles valorizam o dourado da pele e sabem se vestir muito bem. Educados, lidam com qualquer tipo de situação sem apelar a formalidades e convenções.

Pensei em falar com alguns dos meus amigos sobre a ideia, mas me lembrei de que nunca mais havia os visto ou sequer falado com qualquer um deles desde o verão de 2002. Então, parei por um instante, e, me distanciei de onde estava e comecei a pensar em como eles seriam hoje. E como seria a vida deles consequentemente. Estariam casados, solteiros, desempregados? Alguém havia morrido? É engraçado como a nossa vida é levada pelo destino. Todos aqueles antigos planos de verão agora não passavam de desejos vagos na minha memória, que eram ressuscitados, vez ou outra, quando eu ouvia alguma canção na voz de João Gilberto ou Caetano. No entanto algo me dizia que o antigo destino dos meus sonhos me aguardava em um futuro que eu ainda não conseguia vislumbrar.

Curitiba
Eu já alcançava os vinte e dois anos e não conseguia decidir em qual parte do país eu desejaria morar. Foi-se uma lista de possíveis lugares feita mentalmente nas semanas subsequentes e então descobri Curitiba, que me parecia um bom lugar para ser descoberto por mim. A cidade é organizada, arborizada, segura e oferece uma das melhores mobilidades urbanas do país, ideal para quem precisa se locomover para trabalhar. Mas era muito distante do litoral, e muito fria para alguém que venera praia e calor, sem contar a fama (acredito eu que injusta!) de que os curitibanos carregam país afora de serem pouco amigáveis e frios.

Descartei sem muito esforço a ideia de partir para Curitiba depois de ter contato com algumas pessoas que conheci no meu programa de intercâmbio para os EUA e que acabei nunca realizando, logo depois do terrorismo voltar a assombrar o planeta, em 2015. Não tenho a menor dúvida de que o curitibano seja uma gente com qualidades infinitas, mas completamente destoante do resto do país. Eles são únicos. E quando eu digo único, não é a mesma coisa quando eu digo que, como baiano não existe nada igual. Eu quero dizer que não há indivíduos no Brasil se pareça com eles – bem, que fique claro que esta é apenas mais uma impressão. É difícil até de escrever qualquer sensação ou palpite sobre aquela população. O pouco que eu pude perceber é que eles costumam ser sempre pontuais; vão sempre direto ao ponto; mantém distância se ainda não o conhece direito e são, à primeira vista, fechados. É óbvio que eu sou suspeito em dizer qualquer coisa sobre a famosa “frieza” dos curitibanos, até porque eu sou nordestino e isso compromete completamente minha posição de observador. Não é que eles sejam frios, mas possuem um comportamento diferente do resto do país, inclusive do gaúcho. Consegue me entender?

Floripa
Acordei em um dia qualquer de dezembro e liguei a tevê, ainda meio desorientado, quando iniciava um programa sobre jovens brasileiros que se destacavam no surf, o Brasilam Storm, no Canal Off. Por algum motivo, talvez um único, fiquei jogado no sofá e acabei assistindo não apenas o primeiro episódio, como toda a temporada durante o meu verão inteiro. O estilo aventureiro e jovem do canal havia me atraído, fazendo com que nos próximos meses eu passasse horas em frente à tela da minha tevê vendo surfistas, exploradores e outros esportistas optando por uma vida saudável no litoral.

Já no meio da estação, mais um programa de surf havia estreado. Desta vez sobre um jovem de Maresias, em São Sebastião, litoral norte de São Paulo, que se mantinha agarrado ao sonho de ser campeão mundial de surf. Medina havia se tornado meu atleta preferido em um momento em que eu buscava inspiração. Ele era simpático, jovem e cheio de vida em busca de seus sonhos. Naquela altura da vida eu já havia me tornado um entusiasta do esporte adormecido há anos dentro de mim, no tempo em que eu era apenas um adolescente sem muitas preocupações ou nenhuma.

Eu me lembro de ter ouvido exatamente a canção que tocava quando meus olhos vislumbraram aquelas dunas brancas de areia fina e um azul que estampava um céu sem fim. A música era “Little Talks”, da banda Of Monsters and Mens, e o lugar era a praia da Joaquina e do Campeche, em Florianópolis. A partir daquele momento, quase místico, a Ilha da Magia não saía mais da minha cabeça e um desejo tomava conta de mim. Eu queria levar por algum tempo, seja ele qual for, o estilo de vida de quem tem a praia por perto dos pés, da simplicidade que é andar de chinelo e bermuda pela cidade, do cheiro do verde, de viver o verão num dos lugares mais fantásticos do país e do mundo.

Andar com toda aquela gente bonita, voltar a aprender a surfar, pular de asa delta, fotografar e me surpreender com a vida. Para completar eu acabava de conhecer Ygor Reis, a quem eu mais tarde chamaria de Lôro e passaria a ser meu mais novo irmão – um cara vindo do nordeste que tinha se estabelecido em Florianópolis. Todos os ventos sopravam a favor daquele pedaço de terra abençoado pelos pescadores. Ao aportar na Ilha, percebi que todas as maravilhas que eu havia imaginado eram reais.

Nutria em mim o anseio de ter contato o quanto antes com o manezinho e saber mais sobre aquela gente. Ygor já morava algum tempo na Ilha e, por isso, já tinha feito alguns amigos por lá, então tudo fez com que ficasse mais fácil de conhecer alguém que fosse nativo. Conheci logo nos primeiros dias um guri. Ele era tão característico que chegava a ser caricato: educado – nos deu dicas imperdíveis de como aproveitar melhor o verão naquele lugar encantador-, além de ser muito bonito ao melhor estilo manezinho; branco com pelos dourados (talvez de nascença, talvez do sol da praia), ele se portou como alguém muito simples e sem grandes pretensões acerca de sua carreira profissional. As nuances e transformações do mercado não parecia ocupar a lista das coisas com que o preocupava ou mantinha prioridades na vida. Amante do samba e das areias de Florianópolis, ele se vestia como um jovem típico do litoral de Santa Catarina: sempre de bermuda e camiseta, acompanhados de tênis de skatista ou chinelos confortáveis.

Era o que eu realmente esperava, mas havia me esquecido o quanto são reservados a ponto de não se abrirem muito com estranhos. Especialmente com quem havia acabado de se conhecer, mesmo sendo o irmão de um amigo. Percebi que no sul, em geral, há certas conveniências que mesmo sendo estranhas a pessoas de qualquer outra região do país, são tão comuns quanto é para o carioca aplaudir o pôr do sol, ou, no caso de nós baianos, acreditar que o ano só realmente começa depois do carnaval.

Mais impressões
Dias antes de pegar meu voo para a Bahia, me senti traído pelos meus próprios conceitos que até então havia formado sobre as pessoas que habitavam o país ao me esbarrar na praia com um paulistano e confundi-lo com um florianopolitano que estava aproveitando o sol em um dia qualquer. Um erro crasso vindo de quem sempre teve os estereótipos como veredito sobre as origens de qualquer tupiniquim que cruzasse o caminho. Foi neste instante que eu desejei, se assim fosse possível, embutir todos os traços que eu mais me identificava de cada povo que eu já havia conhecido em uma única população de um determinado estado ou cidade do Brasil.

Sem eu ter esperado, meu irmão me deu um puxão e me desafiou a cair naquele mar gelado. Três segundos se passaram até eu me decidir e sair correndo com toda coragem que possuía para entrar no mar. Ainda lutando contra as correntezas, me joguei de corpo e alma nas gélidas águas do Atlântico. Ao retornar para a areia com o corpo aliviado do calor intenso que fazia naquele dia, me sentei e pude ver que estava entre pessoas de diferentes lugares do Brasil, um país de território de extensões continentais. Eu apenas queria que a próxima pessoa que eu encontrasse tivesse um pouco do calor do baiano, da diversidade do paulistano, a elegância do gaúcho e a simplicidade e charme do manezinho. Eu já desconfiava seriamente qual era o “gênero” que eu estava em busca. Na verdade, o que eu mais procurava estava a todo o tempo ao meu redor: o brasileiro.

Por que a Pauliceia nunca apareceu como opção?
A gigante arrogante brasileira nunca entrou em meus planos. E, isso, talvez seja culpa dos estereótipos que cada cidade carrega. É bem possível que eu venha trazendo comigo, desde a minha infância, uma imagem equivocada da, talvez, maior cidade da América Latina. O retrato tapeado, como o da cidade mais violenta do país, lugar de sofrimentos de nós nordestinos, da impossibilidade de ser feliz pela dureza do cotidiano e da liquidez da vida na capital, da velocidade e da falta de tempo. Cresci enxergando a cidade como um destino apenas para quem não tem outra opção. Já cheguei a ouvir muita gente dizendo que lá é “lugar onde o filho chora e a mãe não vê”. No entanto o que eu tenho mais visto é que São Paulo é o “lugar onde o filho ‘apronta’ e a mãe nem sonha”. Mas o mais engraçado é que quem teve a pretensão de espalhar essa falsa estampa fez questão de omitir todo o resto que nos faz amar verdadeiramente São Paulo.

Quase ninguém que escracha a Pauliceia desvairada diz sobre as noites maravilhosas e inspiradoras, as padarias que nos salvam nas madrugadas, a diversidade étnica e cultural, a abundância de opções gastronômicas, os espaços e parques verdes, a mobilidade urbana (que gente como nós, de outros lugares não vê tantos problemas quanto os nativos veem no metrô de São Paulo e nas linhas regulares de ônibus), as tantas e tantas opções de entretenimento, cultura e arte, e o poder de se libertar, de ser quem você realmente é.

O paulistano é, em essência, meio brasileiro como um todo. Por aqui tem de tudo. Quando penso que falo com alguém que nasceu em São Paulo e tem pais nascidos na capital, me deparo com pessoas de todos os lugares do Brasil e até de diferentes partes do mundo. Eles são uma mistura heterogênea de baiano e carioca, de gaúcho e mineiro. É o verdadeiro caldo cultural, como o escritor João Ubaldo Ribeiro bem definiu o povo brasileiro. Por ironia do destino, a única cidade que não listei como opção se tornou a minha escolha.