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Por que eu voltei a morar em Jussiape?

Tarde bucólica em Jussiape Foto: Will Assunção

Logo que conclui meus estudos na universidade, em Salvador, no início de 2010, e decidi voltar a morar em Jussiape, na Chapada Diamantina, no estado da Bahia, por um tempo indeterminado. Com um estranhamento aparente, as pessoas me questionavam, inúmeras vezes, o porquê de eu ter decidido deixar a capital e retornar a este lugarejo; ou, então, por que não ter escolhido qualquer outro lugar do mundo e ter de alguma forma apostado no futuro. De forma serena e consciente, me esforçava para transmitir tudo o que eu sentia de verdade.

Além de Jussiape ser o meu recanto, onde abriga meu universo particular, nela reside minha família; minhas melhores histórias e é ponto de encontro com meus amigos que conquistaram um legado nas minhas memórias. Imagino passar meus últimos dias vendo o tempo se arrastar por aqui, ao observar os lindos campos verdes se estenderam ao horizonte, refletindo a luz do sol do finalzinho do verão e sentir a vida chegar ao fim [...].

A vida simples em Jussiape sempre me atraiu, principalmente depois de saber o que é viver a loucura de grandes centros urbanos e deixar escapar um pouco a essência da minha vida. Eu sentia falta das colinas e dos morros que eu sempre pude ver, no quintal, do fundo da minha casa. Sentia falta da paz que é poder sair à rua a qualquer hora sem correr risco, ainda que alguns tristes acontecimentos tentem tirar a imagem imaculada de cidade pacata. Sentia falta também da brisa leve da manhã e da claridade do sol (nenhum lugar do mundo tem um sol que irradia tanto quanto o deste lugar).

Sentia falta dos meus animais de estimação, do meu quarto, da comida de minha mãe, principalmente aos domingos, quando acontece um verdadeiro festival de massas em minha casa. De lidar tranquilamente com as minhas manias, de deixar aquela bagunça na cozinha ou de assistir a filmes às altas horas e poder rir alto no meio da noite com os meus amigos sem me privar da preocupação em estar incomodando alguém. Meus pais sempre foram ótimos quando o assunto em questão é amigos.

Mas, de igual modo, de caminhar na praça nas tardes de verão, depois de um banho no açude. De subir o Cruzeiro e ver o pôr do sol. De olhar o céu e ver as estrelas à noite ouvindo Coldplay. De fazer planos com os amigos na calçada da Igreja Matriz e sorrir sem se preocupar com que horas voltar para casa. De buscar umbu no pé, no mês de janeiro. De levar o cachorro para passear. De dar dois passos e chegar ao mercado, e de não se preocupar em tomar banho de chuva. Eu diria que foram essas as principais razões por eu ter voltado a morar em Jussiape.