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Assumi o Nietzsche que vive em mim

Foto: Gulliver Ribeiro/JUP

Eu li em algum canto que o tempo em que vivo, o pós-modernismo, anda carente de Nietzsche. Ter coragem e esforço para questionar o próprio sentido das coisas, da engrenagem da vida e de como ela engendra e envolve outras pessoas exige, no mínimo, um esforço descomunal vindo de nós para encararmos tormentos avassaladores internos que dificilmente digerimos sem algum trauma.

Há quem seja acometido, como eu, por uma crise existencial a qual se possibilite vê mergulhado em um turbilhão profundo de questionamentos sobre o real significado de viver. Só quem teve coragem de assumir o Nietzsche que sempre viveu dentro de si, sabe o que é conviver com as angústias aterrorizantes que o ser humano pode desenvolver.

Quem se atreveu a ir adiante e se arriscar a querer as respostas para algumas perguntas que nos atormentam em algum momento da vida, pode ter se tornado alguém mais distante e solitário. Este tem sido o meu diagnóstico nos últimos tempos. Um dos motes do filósofo ilustra bem este sentimento é: “Às vezes enxergo tão profundamente a vida que, de repente, olho ao redor e vejo que ninguém me acompanhou e que meu único companheiro é o tempo”.

A eminente solidão que surge inesperadamente e a frustração ao se deparar com a realidade sobre a condição do ser humano, as mais complexas análises que nos vemos obrigados a tecer sobre as nossas frágeis relações interpessoais (às vezes tão fugaz), o sentido da nossa existência e todo o resto fazem parte deste quadro.

Algumas pessoas geralmente tendem a lidar com a própria existência através de uma espécie de superfície filosófica. Elas, por sua vez, encontram mais facilidade em atravessar a sua jornada pelo mundo, já que seus dramas não possuem a mesma intensidade daqueles encontrados por um “Nietzsche”.

O simples fato de pensar dá muito trabalho e requer longo tempo, afinal, lidar com as dores da existência pode resultar em incertezas e angústias pesarosas, e como consequência, pode afetar o nosso comportamento e personalidade. É por isso que pessoas que assumiram suas próprias dores de estimação estão sempre em busca da maturidade e consequentemente são mais maduras para se projetar no que ainda mal conhecemos: a vida.