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A ‘cordialidade’ de Sérgio Buarque de Holanda e outros vocábulos que ganharam diferentes significados semânticos do brasileiro


Sérgio Buarque de Holanda usou a celebrada expressão homem cordial para descrever o povo brasileiro em Raízes do Brasil, de 1936. Ainda que o autor tenha defendido que o cordial deriva de impulsivo pelo coração, não do dócil, o texto do pai do Chico Buarque foi lido sob o prisma do pacifismo, lembra o historiador e professor Leandro Karnal.

Na mesma década, Gilberto Freyre tinha pintado um latifúndio no qual a escravidão emergia com uma toada malemolente. Vocábulo sinônimo de indisposição, calma excessiva, falta de empenho, fleuma, pachorra. Os dois clássicos foram absorvidos por um público pátrio que amou encontrar, mesmo onde não havia, uma base narrativa para nossa representação pacifista, escreve o professor Karnal, que tem também formação em Filosofia.

Esse processo de atribuir outro significado semântico a determinado vocábulo da Língua Portuguesa ocorreu também com outras palavras, a exemplo de maravilha, que apenas é entendido por muitos falantes do português como um adjetivo que garante apenas qualidades a algo ou alguém. Quando, na verdade, possui um significado muito mais amplo, e significa também coisa ou pessoa que excede toda a ponderação, assombro, pasmo, segundo o Dicionário Aurélio.