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Um pouco de figuras de linguagem


As figuras de linguagem são recursos da Língua Portuguesa para tornar as mensagens mais expressivas. Elas ampliam o significado de uma oração, assim como supre as lacunas de uma frase com novos significados.

Veja algumas figuras de linguagem:

Sinestesia
As sensações e sentidos se misturam.

Já sentia o cheiro doce da liberdade.
Aqui se misturam os termos: (doce= paladar; cheiro= olfato).

Dirigiu-me uma palavra amarga e fria.
(Amarga refere-se ao gosto; fria relaciona-se com o tato).

Aliteração
Consiste na repetição de sons de consoantes iguais ou semelhantes. Ocorre, geralmente, no início das palavras que compõem versos ou frases, mas pode estar também no meio ou no fim.

O rato roeu a roupa do rei de Roma.

Alusão


Quando se faz uma referência ou citação. Trata-se de uma espécie de intertexto, quando um texto se relaciona com o outro de forma explícita ou implícita.

Meu computador foi invadido por um cavalo de Tróia.

Ambiguidade
Considerada um vício de linguagem. É também chamada de Anfibologia. Ocorre quando há a duplicidade de sentido em palavras ou expressões do texto.

A menina disse à colega que sua mãe havia chegado.
O atleta falou ao treinador caído no chão.
Perseguiram o porco do meu tio.

Anáfora
Consiste na a repetição de palavras.

Em “À primeira Vista” – música cantada por Daniela Mercury:
Quando não tinha nada eu quis
Quando… esperei
Quando tive frio tremi
[…]

Antítese
Usa palavras ou expressões com sentidos opostos.

A sina dos médicos é conviver com a doença e a saúde.
Ele estava entre a vida e a morte.
A vida é mesmo assim, um dia a gente ri e no outro a gente chora.
Alegrias e tristezas são constantes da vida.
A educação é luz sobre trevas.
O soldado contava suas derrotas e vitórias.
O amor e o ódio são sentimentos bem próximos.
Uma linha tênue separava a verdade da mentira.

Apóstrofe
Chamamento; invocação. É a forma de exteriorizar a voz que chama, que grita, que fala, enfatizando seu chamado. Dentre as figuras de Linguagem é uma das mais fáceis de identificar, pois não deixa dúvidas.

“…Ó Deus! Onde estás que não respondes?
Em que mundo, em que estrela, Tu t’escondes?
[…]Há dois mil anos te mandei meu grito,
[…]”

Cacofonia
Considerado um vício de Linguagem, consiste em sons produzidos pela junção do final de um vocábulo e começo de outro, que se encontra a seguir. Ecoam desagradavelmente, causando tonalidades ridículas ou muitas vezes que levam a não distinção da mensagem.

Dei um beijo na boca dela.
(ca+ dela = cadela)

Não me preocupei, já que tinha terminado a prova.
(ja + que+ tinha = jaquetinha)

Eu vi ela na praça.
(vi+ ela= viela)

Ela tinha uma bolsa de couro.
(la+ tinha= latinha)

Catacrese
É empregada naturalmente por não existir um nome adequado ou específico para identificar aquilo que se quer expressar.

Costas da cadeira
Manga da camisa
Asa da xícara
Pé da mesa
Cabeça de alho

Elipse
Acontece quando há a omissão de um termo que pode ser subentendido no texto. Neste caso, ocorre se uma palavra ou expressão for omitida e mesmo assim puder ser percebida como parte da oração. Vale acrescentar que esta palavra omitida, não foi anteriormente citada e não torna a mensagem incompreensível.

Na sala de aula, apenas cinco ou seis alunos.
(Neste caso foi omitido o verbo, mas ele está subentendido no texto. Compreende-se que “havia” na sala de aula apenas cinco ou seis alunos. Omissão do verbo haver).

“Peguei de volta meu casaco.”
(Foi omitido o pronome “Eu”, mas a frase é perfeitamente compreensível)

“A cidade dormia, ninguém na rua.”
(Aqui faltou o verbo “estava” que deveria estar escrito após o pronome indefinido ninguém. Apesar desta ausência entende-se inteiramente a frase).

“A vida talvez fosse boa, não houvesse tanta tristeza.”
(Observe a ausência da conjunção “se”. Note que apesar disto, compreende-se a mensagem).

Eufemismo
Ocorre quando aceita-se e usa-se uma palavra ou expressão em lugar de outra, por diversos motivos, em diferentes situações. Na verdade, é a utilização de vocábulos mais leves e mais sutis, para suavizar determinadas mensagens que precisam ser transmitidas.

Adolfo passou desta para melhor.

Hipérbato ou Inversão
Caracterizada pela troca na sequência normal dos termos da oração. Neste caso, ocorre uma inversão ocasionando uma mudança, onde a ordem direta destes termos é alterada.

“Ouviram do Ipiranga às margens plácidas, de um povo heroico o brado retumbante …”

Hipérbole
Classificada como figura de pensamento, constitui recurso estilístico capaz de aumentar a expressividade do texto.

Já te avisei um bilhão de vezes!
Se você for embora chorarei rios de lágrimas!
As crianças estavam mortas de sede.
Que calor infernal!
Esta história me faz morrer de rir.

Metáfora
Um artifício linguístico capaz de promover uma transferência de significado de um vocábulo para outro, através de comparação não claramente explícita.

Aquele rapaz é um “gato”.
Ela me encarou e seu olhar era “pedra”.
Aquela menina é uma “flor”.

Metonímia
Possibilita troca de um termo por outro de mesma similaridade.

Quando troca-se o autor pela obra
Ela adora “ler Jorge Amado”.
Você precisa “ler Shakespeare”.

Quando o continente é substituído pelo conteúdo
Os meninos comeram dois “pratos” no jantar.
Tomamos 3 “garrafas” de cerveja.
Comi 1 “lata” de atum.

Se trocarmos o inventor por seu invento
Ele chegou em um “Ford”.
“Thomas Edison” iluminou o mundo.
“Graham Bell” eliminou as distâncias

Quando se toma o abstrato pelo concreto, ou vice-versa
Não resisti aos apelos daquela “meiguice”.
(Meiguice indica uma pessoa meiga, singela).

Se o efeito for tomado pela causa ou vice-versa
Ganharás o pão com o “suor de teu rosto”; ou
Respeito seus “cabelos brancos”.

Variações da Metonímia
Antonomásia – É a troca de um nome por uma expressão, ou por outro nome que caracterize uma qualidade, ou um fato identificador.

O “Águia de Haia” defendia a igualdade e o abolicionismo.
(Águia de Haia refere-se a Ruy Barbosa, que recebeu este codinome por ocasião de seu notável discurso na II Conferência da Paz, na Holanda).

Metalepse – esta é uma figura de linguagem também considerada variação da Metonímia. Nela o termo antecedente é substituído pelo consequente. Ou ocorre a substituição do nome de algo, por outro nome, havendo relação de sentido entre eles.

Pelo “suor” ganhas o pão de cada dia.
(O suor é consequência de um trabalho árduo. A pessoa compra o pão com dinheiro que ganhou pelo trabalho, que provoca o suor).

Metonímia X Metáfora
Há diferença entre Metonímia e Metáfora. Apesar de ambas serem figuras de linguagem, a metáfora estabelece, mesmo que não claramente, uma comparação. Sabemos que uma comparação está sendo feita apesar de não aparecerem os termos comparativos. Na Metonímia, uma palavra é substituída por outra, quando os dois termos possuem uma proximidade de sentido (contiguidade). Ela pode ocorrer de várias formas no texto, conforme vimos acima (tipos).

Cotonete (Produto de higiene: haste com ponta de algodão) – Cotonete é a marca de um produto da Johnson & Johnson

Band-Aid (Curativo: trata-se do nome da marca e não do produto)

Danone (marca de um iogurte)

Maizena (marca de amido de milho) – maisena com s é nome da farinha extraída do milho.

Onomatopeia
É a figura de linguagem que permite o uso de vocábulos para representar um som.

O sino da igrejinha faz “blem,blem blem”!
O gato miou

Paradoxo
Paradoxo é também chamado Oxímoro. É definido como aproximação de palavras contrárias, que podem ser associadas em um mesmo pensamento.

“Amor é fogo que arde sem ver
…É um contentamento descontente
…Dor que desatina sem doer”.
Camões

Pleonasmo
Pleonasmo é uma figura de linguagem que se caracteriza pela redundância. Trata-se da repetição de palavras que tem o mesmo significado, em uma mesma oração. Pode ocorrer de duas formas: Como Pleonasmo literário ou como Pleonasmo Vicioso.

Subir para cima.
Sair para fora.

Personificação ou Prosopopeia
Como toda figura de linguagem, a personificação ou prosopopeia privilegia o aspecto conotativo.

Pelo caminho nos deparamos com uma “nevasca cruel”. – (A nevasca é considerada como portadora de um sentimento – a crueldade.);

“Ora, chora cavaco, ora chora viola”; já disse pro samba que eu não vou-me embora” (Candeia – no samba “Lá vai Viola”); (Aqui a viola e o cavaco são capazes de chorar.);

Nada mais pude fazer, a não ser aceitar a “sinistra face da morte”. (A morte ganha uma face e assume a característica de ser sinistra);

Oh! Que “noite cruel e nefasta”. (Neste caso, é a noite que ganha características de seres vivos.);

E o “sol encantado” com sua beleza, “sorria”. (O sol se anima nestes versos. Se encanta com a beleza e ganha a capacidade de sorrir);

As “ondas beijavam” a areia branca da praia. (Ondas praticam a ação de beijar).