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2018 começou em paz: agora só nos resta coragem, gramática e textualidade

Sol se seita no mar do São Salvador, na Bahia Foto: Will Assunção/JUP

Só quem é sensato sabe o quão é chato receber mensagens automáticas e sem criatividade nos desejando um feliz 2018 repleto de blá, blá, blá. O Natal foi um porre, no entanto, eu me recusei receber 2018 com um amontoado de mensagens impessoais, muitas delas repletas de cores e efeitos, mas vazias e sem nenhum significado verdadeiro. Meus anseios para o ano que veio, foram vastos de originalidade, respeito às diferenças, tolerância, amor e, principalmente, gramática e textualidade.

Sim, gramática e textualidade são essenciais em nossas vidas. Primeiro: precisamos (re)aprender a nos comunicar com eficiência para evitar mal entendidos e ambiguidades ao longo da vida facebuquiana. Como já diria Sakamoto, falta amor no mundo, mas falta também interpretação de texto. Segundo: criatividade literária é imprescindível para quem vive no século 21 e utiliza qualquer mídia social para manter o mínimo de contato com o mundo. A verdade é que ninguém tem a coragem de nos contar, mas, muitas vezes, os nossos contatos veem nossos textinhos e textões publicados nas redes sociais com cara de indigestão existencial. E, por último, e não menos importante, o respeito ao ilustríssimo português, afinal, não é qualquer um que tem o privilégio de nascer em uma nação lusófona.

O ritual para receber o novo
Para os que gostam de simbologias, como eu, que já beiro os 30 anos, e, muitas vezes, trata a vida e o tempo com certos rituais, 2018 deve ser visto como um momento de oportunidades. O fruto que faltava amadurecer em nós, já está pronto para ser colhido. Arrisque-se em uma aposta que tem crescido em você; cada um de nós precisa fazer escolhas difíceis em certos momentos da vida, e não há como fugir disso. Pois é tempo de crescer de dentro para fora. É tempo de estar cercado de gente que nos faz bem, gente que nos leva sempre no peito. É, também, tempo de ver chance no impossível, no insuperável. É tempo de acreditar mais. De persistir mais, e tentar mais uma vez. E, sobretudo, de insistir em ser feliz com o destino que temos em mãos.

Meus pedidos (e escolhas) para 2018 foram amor e possibilidades. O meu ritual é simples e puro: mantenho o espírito leve, reúno a positividade adquirida no verão e, de quebra, conservo uma conexão com o que faz bem ao corpo e à mente. Ultimamente, eu tenho ouvindo muito bossa, talvez, porque seja verão. Na verdade, bossa nova e surfmusic. Sabe, é coisa da alma mesmo, vem de mim: é original, orgânico. Tem gente que acha um saco repetir o álbum duas, três vezes. Eu não. Passo uma manhã inteira ouvindo um único disco e acho isso lindo, como o carioca que reverencia o pôr do sol sem medo de se entediar tempos depois. É porque música para mim é igual à religião – neste aspecto -, eu não tenho nada contra esses fenômenos culturais, até pratico muito deles, só não me obrigue a ouvir o que não é agradável aos meus ouvidos. E é dessa forma que eu tenho conduzido os meus dias. Ninguém precisa ser obrigado a nada.

Às vésperas da passagem do ano, fui com leveza de espírito reverenciar o sol, em sua majestade, ao se deitar no mar do São Salvador. E a brisa leve do fim de tarde, carregada de uma melodia que só a bossa nova tem, trouxe uma sensação perdida em mim há algum tempo. Busquei o saber que a eternidade guarda e que pode durar apenas alguns segundos e da crença de que novas possibilidades sempre virão. E dessa forma ganhei coragem para desejar que o novo venha voraz, porque eu o recebo de peito aberto.