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‘Há mais vítimas do que se supõe’, defende editor da JUP sobre 24 de Novembro

Mulher chora por vítimas do atentado de 24 de novembro Foto: Will Assunção/JUP

O editor e fotógrafo sênior da Jussi Up Press, William Assunção, 27, que, em 2012, escreveu um artigo, como trabalho de conclusão da sua pós-graduação na área de Comunicação, após acompanhar o atendando, em 2012, a personagens políticas, em Jussiape, defende que “há mais vítimas no evento trágico de 24 de Novembro do que se supõe”. Para o ex-assessor de comunicação e imprensa do prefeito Procópio Alencar, uma das vítimas do atentado, os dois filhos de Claudionor Galvão de Oliveira, o autor dos disparos, são “vítimas invisíveis” da tragédia, que deixou 4 mortos e 3 feridos.

“As maiores vítimas, se é que posso dimensionar situações distintas, foram, evidentemente, aquelas que perderam suas vidas e entes queridos no ocorrido em 2012. E, contra o senso comum, devem ser incluídos neste quadro os próprios filhos do atirador”, pontua Will Assunção. “É evidente que a comunidade carrega um trauma. O evento está incrustado na história recente do município e, por conta disso, a população segue com certos estigmas e cicatrizes repletas de dor”, conclui o especialista.

TRAGÉDIA E EMOÇÃO
Como especialista na área de Comunicação e estudioso do evento que batizou de 24 de Novembro, Will Assunção acredita que o episódio e a repercussão são encobertos e acompanhados a todo instante pelo forte sentimento de emoção, o que dificulta a apuração e, consequentemente, o entendimento da tragédia. 

Assunção ainda defende que o senso comum e a presença da emoção atrapalham o “enxergar” de peculiaridades minuciosas e profundas que caracterizam o atentado. E afirma que “evidências ainda estão enterradas no processo cristalizador de narrar a própria história”. E completa ao dizer que “no momento de se discutir o atentado, a racionalidade deve estar presente sempre”.

O editor da Jussi Up Press Will Assunção Foto: JUP

VÍTIMA ALGOZ
O editor da JUP acredita que a grande imprensa realizou, pelo menos no primeiro instante, uma cobertura sensata, sem traços emocionais e sensacionalistas. Embora a própria imprensa, na época, não tenha explorado o perfil dos envolvidos no atentado, como o comportamento violento e pouco amistoso de Claudionor Galvão – personagem caracterizada por ter sofrido bullying após a vitória nas urnas do seu opositor. O responsável pelas ações é apresentado, por parte da imprensa, como vítima algoz, ícone de um grupo de correligionários, que sofreu retaliações após o período das eleições municipais que elegeu Procópio Alencar como o novo gestor municipal. Sem mesmo saber os reais e diversos fatores que levaram a tragédia, boa parte da imprensa abarcou este mote, sintetizando o que foi exposto por parte da mídia brasileira.