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Simpatizante de Trump, Adson Muniz era procurado desde 2012 e dizia ser integrante do PCC

Adson Muniz Foto: Will Assunção/JUP

Adson Muniz Santos, 34, foi preso na última quarta-feira (11), acusado de ter sequestrado, assaltado e estuprado uma mulher após se passar por um agente federal na capital paulista. Na sexta-feira (6), por volta das 19h30, Muniz utilizou um distintivo falso e uma arma de brinquedo para abordar uma mulher, de 48 anos, que cruzava a rua Augusta, localizada em uma área nobre da cidade, após sair do estacionamento da Casa Santa Luzia, empório de luxo tradicional do bairro Jardins, na zona oeste de São Paulo.

O falso agente federal exigiu que a mulher abaixasse os vidros e mostrasse os documentos. Após acusá-la de quase atropelá-lo, ele percebeu as portas destrancadas e entrou no veículo. A mulher ficou cerca de três horas em poder de Adson, que a obrigou a sacar cerca de R$ 1 mil em um caixa eletrônico na rua São Caetano, no centro de São Paulo. Muniz ainda obrigou a vítima a tirar seu sutiã e a fazer sexo oral nele, segundo registro do boletim de ocorrência. O suspeito também chegou a se masturbar e a ejacular no carro, segundo Marco Antônio de Paula Santos, delegado seccional do centro. A vítima conseguiu fugir do carro quando passava por um semáforo vermelho da avenida Francisco Matarazzo, na zona oeste, e seguiu em direção a um bar.

Adson também é acusado de ter estuprado outra mulher no último dia 2 em um quarto de hotel na rua da Consolação, localizada em uma famosa região de São Paulo. De acordo com a polícia, a vítima foi abordada por ele há cerca de dois meses no aeroporto de Congonhas, na zona sul, quando Muniz se apresentou como produtor de TV e a convidou para participar de um programa que seria exibido em cadeia nacional. O encontro no hotel foi marcado para uma sessão de fotos, mas, uma vez a sós com a vítima no quarto, ele se tornou agressivo e a ameaçou com uma arma para obrigá-la a manter relações sexuais.

Em uma das várias abordagens, Muniz, que seguia sistematicamente um modo de atrair as vítimas, afirmou que estava produzindo um reality show, que seria transmitido em cadeia nacional, e marcou um encontro com a futura vítima em um shopping em São Paulo. A mulher desconfiou da proposta e avisou o namorado que fotografou o encontro com Muniz. Ele tentou convencer a mulher a ir com ele a um hotel, onde seria realizada uma espécie de teste para o programa. A jovem se recusou, e, dias depois, soube da prisão e dos crimes praticados pelo maníaco.

Outra vítima, a gerente de vendas Juliana Maciel, de 37 anos, foi abordada quando estava parada em uma semáforo na rua Abílio Soares, por volta das 14h da última terça (10). “Eu não abri a janela, foi minha sorte”, contou à imprensa. Ela ainda conseguiu fotografar Muniz e, em seguida, as imagens foram publicadas em grupos de WhatsApp e logo se espalharam pelas redes sociais.

Foto: Divulgação/Polícia

Adson Muniz também é alvo de uma ação de indenização por dano material, movida por uma advogada, no valor de R$ 100 mil. À polícia, ele negou os crimes e afirmou que só praticava atos sexuais consentidos.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Adson não tem residência fixa em São Paulo e estaria hospedado em um hotel. Ele foi preso próximo ao estádio do Pacaembu, na zona oeste de São Paulo, em uma operação que mobilizou mais de 50 homens. Figura controversa, Adson chegou afirmar a algumas vítimas que era integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O ex-vereador também nutria admiração pelo presidente polêmico dos EUA Donald Trump. Em seu perfil no Facebook, Adson exprimia afinidades com as ideias de Trump.


Adson Muniz se candidatou ao cargo de vereador pelo menos duas vezes antes de conseguir se eleger membro do Legislativo do município de Jussiape, em 2012. A primeira, em 2004, pelo Partido Popular Socialista e, a segunda, em 2008, pelo Partido Democrático Trabalhista. Seu único mandato como político brasileiro durou de 2013 até 2016, completando os quatro anos de serviço público como um parlamentar pelo Partido Republicano Brasileiro. Nas últimas eleições municipais, em outubro de 2016, Adson tentou se reeleger, mas não obteve êxito nas urnas.

Em 2010, Adson Muniz ousou ser candidato ao cargo de deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista, mas, novamente, ele não alcançou o número de votos suficientes para se eleger. Em 2014, enquanto ocupava uma cadeira na Câmara de Vereadores de Jussiape, Muniz exibiu suas ambições ao se candidatar a uma vaga no Congresso Nacional pelo Partido Republicano Brasileiro. No entanto Adson não conseguiu o resultado esperado para se tornar deputado federal, obtendo no total de 478 votos (0.01%). Em 2016, ao ser derrotado nas urnas, Adson se tornou suplente de vereador pelo PRB.

Classificado como “predador sexual” pela delegada Christine Nascimento Guedes Costa, o ex-vereador Adson Muniz Santos é de Caraguataí, distrito de Jussiape, e até o momento foi reconhecido por 21 mulheres, segundo informações da 1ª Delegacia de Defesa da Mulher, localizada no centro de São Paulo. No entanto a polícia não descarta a possibilidade de haver mais vítimas, portanto, o número de mulheres abusadas por Muniz pode aumentar, já que outros casos contra o suplente de vereador nos estados de Goiás, Rio de Janeiro e Bahia foram registrados pela polícia.

Ainda de acordo com a polícia, as vítimas teriam sofrido ataques semelhantes ao do último dia 6. O ex-vereador admitiu ser ele nas imagens gravadas por câmeras de segurança, mas negou ter estuprado as mulheres ou ter se passado por produtor de TV. Na saída da delegacia, Adson afirmou nunca ter matado ninguém e que seu foco é se tornar candidato à Presidência da República para acabar com a corrupção e com as mortes no país. Muniz disse ainda à imprensa que quando foi vereador em Jussiape, ele ajudou bastantes pessoas no município e que a população é testemunha de suas benfeitorias.

Em 2013, o irmão do ex-vereador Adson Muniz foi preso na BR-251, na cidade de Montes Claros, no norte do Estado de Minas Gerais, após ser detido pela polícia em uma caminhonete com placas falsificadas e registro de roubo. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), A.M.S., como foi identificado o irmão de Muniz, estava em uma caminhonete Strada e foi parado ao passar pelo km 515 da rodovia. Ao consultar a placa do veículo, os policiais descobriram que elas era falsa e que o registro verdadeiro constava na polícia após um roubo em janeiro deste ano, em São Paulo. O Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos (CRLV) também parecia ser falsificado. Em conversa com a polícia, A.M.S. disse, à época, que era irmão de um vereador baiano, que teria lhe entregue a caminhonete para ser levada de São Paulo para a Bahia. O homem foi preso e dois passageiros, J.M.A e J.S.F, detidos em flagrante. Os três foram levados à delegacia.

Em abril de 2014, à época vereador do município de Jussiape, Adson Muniz disse à agência de notícias Jussi Up Press que foi vítima de um sequestro relâmpago na capital baiana enquanto se divertia com amigos pelo bairro do Rio Vermelho. O vereador disse que suspeita de ter sido seguido pelos sequestradores enquanto ia em direção a um restaurante no bairro onde aconteceu o sequestro. Adson disse que sofreu agressões físicas e ficou desacordado por horas. Ao recuperar a consciência, já em um hospital particular na cidade, ele afirmou não se lembrar de detalhes do crime. “Levei muita porrada, meu rosto está todo inchado. Quando eu acordei, eu já estava no hospital”, disse.

Na primeira versão, o vereador disse que cerca de U$ 20 mil dólares, que haviam sido sacados recentemente da sua conta, além de mais R$ 2 mil reais, que já estavam em sua posse, foram levados. Adson Muniz ainda explicou que algumas pessoas que o acompanharam naquele dia podem estar envolvidas com o crime. Um dia depois da sua declaração, Adson mudou a sua versão da história.

Muniz se contradisse ao afirmar que os dólares foram arranjados por amigo e entregues aos sequestradores. Muniz exibiu um relatório de alta emitido pelo Hospital Aliança, em Salvador, confirmando o diagnóstico de trauma superficial na cabeça, logo após, segundo Muniz, ter sido vítima de um sequestro relâmpago.

Nas eleições de 2014, um episódio se tornou peculiar quando o ambicioso Adson recebeu apoio publicamente do ídolo do futebol Ronaldinho Gaúcho, que apoiou o candidato baiano a deputado federal pelo Partido Republicano Progressista (PRP-BA). No perfil oficial no Facebook do jogador, o atleta desejou boa sorte a Adson e pediu aos seus seguidores para votarem com consciência. À época, Muniz contatou a neta de Antônio Carlos Magalhães, Carol Magalhães, para ser a garota-propaganda da sua campanha, mas a proposta foi negada pela apresentadora.

A presença de profissionais da imprensa em Jussiape, pequeno município com pouco mais de 7 mil habitantes no extremo sul da Chapada Diamantina, no sertão baiano, a cerca de 760 km de Salvador, volta a assombrar ou mesmo intrigar a população. Isto porque o município estranhamente tem seguido uma soturna tradição de estampar manchetes nacionais, de tempos em tempos, envolvendo tragédias e escândalos das mais variadas naturezas.

Embora muitos fatos trágicos ocorridos antes de 2012 ostentem todas as características inerentes a uma manchete capaz de ganhar a imprensa internacional, foi somente a partir deste mesmo ano que eventos dramáticos vêm repercutindo de forma estrondosa em todas as mídias no país e lançando estilhaços pelo mundo.

Desde 2012, quando uma tragédia deixou um saldo de 4 mortes, entre elas, a do recém-eleito prefeito do município Procópio Alencar e de sua esposa Jandira Alencar, outros acontecimentos desencadearam fortuitos questionamentos sobre a natureza dos crimes. Alguns especialistas, no entanto, apontam essa violência sendo sistemática, estrutural e endêmica.

Após pouco mais de 2 anos, em 2015, um jovem de 15 anos invadiu uma escola e feriu a golpes de facão o porteiro. A intenção do aluno era atacar a diretora da instituição, que não estava presente, contudo foi contido por alunos e funcionários até a polícia chegar ao local. Não tardou para outro fato mais assustador voltar a chamar a atenção da imprensa e da população. Em agosto de 2016, uma adolescente de 14 anos matou a mãe a pedradas e ateou fogo no pai enquanto dormia. O crime ocorreu no povoado de Paixão. O pai morreria pouco mais de dez dias do ocorrido.

Na manhã da última sexta-feira (13), profissionais de imprensa buscavam uma história, tentavam descobrir quem, afinal, era Adson Muniz. Populares foram entrevistados e incrivelmente Adson foi descrito como um “bom vereador”. Com link ao vivo do centro de Jussiape para um dos telejornais de maior audiência do Estado, a reportagem levantou uma única indagação entre os jussiapenses: até onde Jussiape estará predestinado a escrever a sua recente e consternada história?

É um fenômenos típico do nosso tempo, isto é, para entendermos do que se tratar precisamos, antes de tudo, se atentar à forma como eles são tratados e repercutem. A ascensão da internet revolucionou a maneira como lidamos com a notícia, que passa a ser instantânea, ou seja, consumida em tempo real. As redes de compartilhamento se tornam poderosas aliadas na disseminação de conteúdo, muitas vezes ambíguas e complexas. Minhas afirmações estão embasadas em um estudo, fruto de uma especialização em Comunicação, publicado em 2012, intitulado de 24 de Novembro – um estudo sobre repercussão de um evento trágico em Jussiape.

O delegado que investiga o caso acredita que Adson agia desde 2012 e costumava abordar as vítimas em aeroportos, clubes e perto de bancos e supermercados. “Ele buscava mulheres com posse e posições sociais mais elevadas e com posse, até porque ele agia na região dos Jardins”, disse Marco Antonio de Paula Santos, seccional do Centro.

Adson Muniz foi indiciado por estupro, estelionato e falsidade ideológica. O advogado de Adson, Ricardo Salomão, alegou que o ex-vereador toma remédios controlados e que não se lembra dos ataques. “Vamos pegar o laudo médico com a família, que comprova o tratamento psiquiátrico”, disse o advogado. Ainda segundo a defesa de Adson, ele está aéreo e não fala nada com nada. O ex-vereador pode desfrutar de uma suposta vantagem por realmente ter entes na família com grau parentesco próximo que sofrem de distúrbios mentais.