Header Ads

LightBlog

Em meio à ‘crise política sem precedentes’, vereadores conclamam ex-prefeito Sílio Luz

Com a presença de muitos estudantes, a sessão na Câmara de Vereadores de Jussiape na última sexta-feira (6) foi um prato cheio para a oposição, que fez uma série de declarações contra o governo Éder (PMDB). A plateia ficou completa de alunos do ensino médio, que acompanharam de perto as atividades do Legislativo.

O vereador José Roberto (PMDB) deu início ao seu pronunciamento ao se manifestar sobre o recuo do Banco do Brasil em reabrir a agência ou instalar um posto avançado na cidade.

A decisão do banco teria sido confirmada pela gerente da agência 4194-7 ao peemedebista. “Uma notícia muito triste para nós jussiapenses, para o município, que já passa por dificuldade, seja econômica, seja social”, lamentou José Roberto.

O vereador Edilando Brandão (PMDB) teceu uma autocrítica ao pontuar “a falta de iniciativa dos dois poderes” para tentar trazer a agência do Banco do Brasil de volta a Jussiape. “É triste ver a nossa cidade, que já é uma cidade pacata, ficar nesse marasmo”, completou.

Ao rebater Brandão, o vereador Jadiel Mendes (PSD) disse que a decisão acerca da agência veio “lá de cima”. E completou ao afirmar que “mesmo se nós tivéssemos ido a Salvador ou a Brasília, nós vereadores não temos culpa do que aconteceu”.

“Eu estou tirando os vereadores de fora, mas eu também vou tirar o prefeito, porque, veja bem, não temos culpa”, completou Mendes.

Uma defesa estratégica foi montada pela base governista para proteger o prefeito Éder dos ataques da oposição.

A fala de Jadiel Mendes, reforçada por outros parlamentares, sintetiza o ocorrido na Câmara. O vereador afirmou que se fez presente para agradecer ao prefeito. “Nós estávamos precisando de um reforçador de sinal de celular”, explicou.

Mendes disse ainda que os últimos governantes não atenderam ao pedido para Caraguataí, mas, que em menos de um ano, o prefeito
Éder Jakes contemplou o distrito com o equipamento necessário para o funcionamento dos aparelhos celulares.

Ele continuou o seu agradecimento ao dizer que o PSF de Caraguataí foi completamente reformado com recursos próprios. “Outra coisa que ele está fazendo: o sistema de esgoto em Caraguataí”, acrescentou.

Em defesa do prefeito, o vereador Raul de Cássio (PDT) reforçou que Jussiape é um município pobre e que a sua renda per capta é baixa, mas “devagar vai se mudando [...]”, analisou.

O pedetista também aproveitou a ocasião para dedicar parte do seu discurso aos jovens presentes com ditos populares. O vereador lembrou ainda que, como professor e político, trabalha há 36 anos.

‘CRISE POLÍTICA’
Obedecendo a uma ordem diacrônica, o peemedebista José Roberto evidenciou as mazelas no cenário político nos últimos anos, o que chamou de “crise política sem precedentes”. Ele ressaltou que, desde que o ex-prefeito Sílio Luz perdeu o mandato ao ser cassado, o município não teve mais “estabilidade política”.

“Pegamos aqui uma safra de vários prefeitos que não fizeram nada, simplesmente vêm roubando do nosso município”, afirmou.

O vereador José Roberto seguiu afirmando que a Prefeitura “além de não investir no município, não faz o trabalho social”.

Para o vereador Juscelino Carvalho (PRP), que reforçou a sua posição de decano na Casa, a cassação do mandato do ex-prefeito Sílio Luz “foi a maior derrota para Jussiape que houve até hoje”.

ENTENDA O CASO

TSE cassa mandato do prefeito de Jussiape Sílio Luz


Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassaram no dia 13 de agosto de 2002 o mandato do prefeito de Jussiape, Sílio Luz Souza, que, durante a eleição de 2000, foi acusado de comprar o voto de um eleitor.

A suposta irregularidade foi reconhecida anteriormente pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) da Bahia, que aplicou multa ao prefeito. De acordo com o juiz baiano Eduardo Carvalho, o eleitor confessou que o prefeito teria dado uma caixa d’água e um padrão de luz em troca do voto em Souza. “O tribunal da Bahia assentou estar clara a ocorrência da prática ilegal”, afirmou o relator do recurso no TSE, ministro Fernando Neves.

Os ministros do TSE concluíram que, independentemente de quantos votos forem comprados, a pena para quem comete essa irregularidade é a cassação. “No caso de captação de votos vedada por lei, não há de se perquirir sobre a potencialidade de o fato influir no resultado da eleição”, disse Fernando Neves.

Em declaração dois dias depois de Sílio ser cassado, o ministro explicou que caberá a um juiz eleitoral da Bahia decidir se será convocada uma nova eleição para escolher o prefeito de Jussiape. Segundo Fernando Neves, o afastamento do prefeito que compra ou tenta comprar votos deve ser imediato.

SAÚDE
Compondo a bancada da oposição, Edilando Brandão utilizou a maior parte do seu pronunciamento para questionar os investimentos na saúde.

“Está faltando remédio”, apontou.

E completa ao dizer que no município “não tem saúde digna”.

O peemedebista também criticou a forma como o governo Éder conduz a gestão da Casa de Saúde Ana Medrado Luz, que havia sido interditada no final do governo Gilberto Freitas, em 2016.

Brandão questionou ainda que durante a campanha eleitoral de 2016, o prefeito-médico Éder Jakes criticava duramente a gestão passada pela falta de investimento na saúde do município.

Contrária à posição de Edilando Brandão, a vereadora Vanusa Medrado (PRP), que já ocupou o cargo de secretária de Saúde do município, cita um caso dramático, que vivenciou recentemente ao acompanhar um paciente em Vitória da Conquista, o que para ela evidencia o quanto é “cruel o sistema de saúde” no país, e afirma que “a nossa Casa de Saúde com toda precariedade faz muito pelo município de Jussiape”.

“Ruim com ela, pior sem ela”, paliou Vanusa Medrado ao convidar quem estiver interessado em conferir a transformação do hospital.

Ao corroborar com a fala da vereadora, Jadiel Mendes ressalta a importância de chegar à Casa de Saúde e conseguir ser atendido. Mendes ainda dá como exemplo um episódio envolvendo a sua filha na capital baiana, que ao precisar de atendimento médico não conseguiu sequer “preencher uma ficha” em diversos postos de saúde.