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Com grandes chances, ‘diversidade de gênero’ pode ser tema da redação do Enem 2017


Os inscritos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2017 devem levar em consideração um tema que vem gerando debates acalorados não apenas no Brasil, mas no mundo todo. A identidade de gênero é apontada por educadores como um dos possíveis temas da redação do Enem deste ano. É provável que o Enem opte por assuntos ainda intocados, mas que têm ganhado espaço no debate pelo país, já que minorias étnicas e religiosas já foram temas das duas edições anteriores.

Portanto é indispensável aos candidatos entender de modo mais aprofundado os conceitos e levar em consideração as diversas formas da identidade de gênero se manifestar. É importante também atentar a novas informações sobre o contexto social e político no planeta e, principalmente, no Brasil.

Dados divulgados recentemente revelam que:

1. De acordo com o relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA), o Brasil ocupa o primeiro lugar na quantidade de homicídios de pessoas LGBTs nas Américas.

2. Um levantamento feito pela agência de checagem de notícias Aos Fatos, em parceria com o portal UOL, mostra que o governo de Michel Temer zerou os repasses para ações específicas de combate à homofobia em 2017.

Dados da ONG Grupo Gay da Bahia (GGB) mostram que das 343 pessoas LGBTs assassinadas em 2016, metade era gay e 42% eram travestis ou transexuais.

No momento de elaborar o texto, o candidato deve se pautar apenas em afirmações coerentes, não fugindo da lógica, ou seja, utilizar dados apresentados pela ciência, seja pela perspectiva da filosofia, sociologia, biologia etc. Outra dica valiosa é se apegar a conceitos importantes de entidades prestigiadas, como a Organização das Nações Unidas (ONU), que define identidade de gênero, segundo o documento “Livres & Iguais”, como experiência das pessoas com o próprio gênero.

No entanto existe uma extensa variedade de identidades, permitindo outras possibilidades de existência às pessoas que não se identificam com o sexo biológico. Esse é o caso das pessoas transgênero, que têm identidade diferente daquela determinada no nascimento a partir de aspectos físicos.

A ONU informou que novos estudos sobre a população trans mostra que essas pessoas correm maior risco de sofrer discriminação. A intolerância se manifesta no cotidiano em forma de bullying, abuso verbal, negação à saúde, educação, trabalho ou moradia, assim como lesão corporal, tortura, estupro e assassinato.

Dados de autoridades e de especialistas no assunto, do governo e de órgãos que se dedicam à temática da intolerância à diversidade sexual e outras estatísticas sobre a proposta podem ajudar no momento de formular possíveis soluções. Pois a redação do Enem tradicionalmente lida com questões de direitos humanos e, por conta disso, a organização do exame apresenta problemas e pede propostas de intervenção aos candidatos.

É importante para quem pretende fazer uma boa prova saber como intervir ou corrigir o problema, pois, como dito anteriormente, a prova de redação do Enem vai cobrar essa postura do candidato. A ONU sugere uma série de medidas significativas para serem postas em prática como campanhas contra o bullying, reconhecimento legal, não tratar pessoas trans como doentes, garantir o acesso a serviços de saúde e incentivar a educação e o treinamento entre essa população. E, talvez, a mais importante seja a criminalização da homofobia, que consiste em leis relacionadas a crimes de ódio e discriminação.

Outro ponto que pode ser discutido amplamente é a inserção de pessoas trans no mercado de trabalho e na universidade, além da adoção do nome social em documentos de identidade. Assim como a Receita Federal e o Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), o Enem permite desde 2014 que alunos trans usem o nome social para realizar a prova.