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3 questões invisíveis sobre a possível instalação de uma agência bancária no centro de Jussiape

Parte de um cofre arremessada após explosões Foto: Will Assunção/JUP

Sem o funcionamento da agência do Banco do Brasil em Jussiape desde dezembro de 2016, após ser alvo de um assalto com dinamites e ter a sua estrutura comprometida, e com a recente notícia de que supostamente o banco também teria desistido de retornar à cidade, o anúncio de que o Bradesco pretende abrir um novo ponto na cidade não nos aliviou do latejo em perdermos a única agência para a falta de segurança que ronda o estado.

O Bradesco tem atraído cada vez mais um público ávido pela possibilidade de abrir uma conta e acabar de uma vez por todas com a dor de cabeça que é ter que se deslocar à outra cidade para obter um extrato. No entanto muitos clientes têm reclamado da confusão que é para obter uma simples informação e até mesmo para entender as cobranças das taxas no banco.

Na sessão da Câmara de Vereadores desta sexta-feira (6), o vereador José Roberto (PMDB) lamentou ao afirmar que a gerente da agência 4194-7 em Jussiape havia confirmado que o Banco do Brasil teria desistido de retornar ao município. Em pronunciamento no plenário da Câmara, o vereador peemedebista Edilando Brandão declarou que o Bradesco não descarta a possibilidade de abrir uma agência na cidade.

Enquanto a série de suspense, repleta de cenas imprevisíveis, dirigida pelas instâncias superiores do Banco do Brasil e sem o protagonismo dos políticos, não chega ao episódio final, nós, personagens coadjuvantes, somos submetidas a situações penosas, tais como:

1. Deslocar até o município vizinho de Rio de Contas, quando não a Livramento de Nossa Senhora, e disputar uma vaga na fila para garantir atendimento nas agências de outras cidades;

2. Acordar às 5h, quando algum de nós não dispõe de carro próprio – o que é mais provável para a maioria-, para nos juntarmos à lotação de uma van, que retornará à cidade pouco depois das 11h. Mas caso precise permanecer por mais tempo na agência, por ventura, se for o nosso dia de sorte, surja alguma vaga em outro coletivo com horário posterior;

3. Enfrentar a alta propensão de assaltos no trecho entre Rio de Contas e Jussiape, já que é sabido por todos nós que boa parte da lotação vai aos municípios vizinhos realizar alguma transação bancária.

Na Câmara, o vereador Raul de Cassio (PDT) disse que representantes do Bradesco estavam à procura de um local para a instalação de um novo ponto em Jussiape. De acordo com a informação do pedetista, alguns locais na cidade já teriam sido considerados para abrigar uma agência ou mesmo um posto avançado.

Um superintendente do Banco do Brasil teria afirmado ao superintendente do Bradesco, segundo o vereador Raul de Cassio, que não haveria interesse da instituição em reabrir a agência na cidade neste momento.

O que, se ligarmos os pontos, torna um tanto evidente a desistência do Banco do Brasil em reabrir a agência ou instalar um posto avançado na cidade. A informação exclusiva da coluna #assuntasó, assinada por mim e publicada na Jussi Up Press na última quarta-feira (4), ainda não foi confirmada oficialmente pelo banco.

O Banco do Brasil teria recuado após o Bradesco conseguir, através de uma liminar, ser a nova responsável pela gestão da folha de pagamento dos aposentados e pensionistas, que antes recebiam benefícios pela agência 4194-7 do Banco do Brasil.

O vereador Raul disse ainda que foi informado por funcionários do Bradesco que o banco tenta um acordo para que uma agência seja aberta na cidade.

Mas até uma solução se tornar realidade e chegar à população, cabe a nós correntistas e cidadãos:

1. Aguardar de braços cruzados a informação de que a agência do Banco do Brasil voltará a funcionar na cidade; ou, na melhor das hipóteses, se deparar com a sorte de o Bradesco ser o banco preferido entre todos os outros;

2. Odiar tanto o Banco do Brasil a ponto de se ver contemplado com a transferência de suas atividades bancárias para uma agência do Bradesco e seguir feliz ouvindo “Don’t Worry, Be Happy”, na versão de Bob Marley;

3. Buscar possíveis intervenções junto às autoridades, o que também significa pressionar os políticos que elegemos para atuarem na solução desse problema.

Seja qual for a sua opção, algumas questões devem ser consideradas:

1. Até o presente momento, ninguém foi informado oficialmente se o Bradesco ou qualquer outro banco abrirá uma agência ou um posto avançado na cidade, o que, assim como eu, você também já deve ter parado e se perguntado sobre quais medidas de segurança serão adotadas. O questionamento a seguir é óbvio e imediato: haverá chance de novas investidas de bandidos no novo ponto destinado a atender os antigos clientes do Banco do Brasil?

2. Se sim, alguém levou em consideração os sérios riscos que envolvem o local escolhido para abrigar a suposta agência?

Se a sua resposta para a questão número dois for “tanto faz”, pode continuar conferindo as atualizações das suas redes sociais preferidas. Caso você expresse o mínimo de preocupação, siga lendo com atenção as 3 questões invisíveis que dizem respeito a possível abertura de uma nova agência bancária no centro de Jussiape.

1.  Patrimônio histórico-cultural em risco
Em 2014, funcionários do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) afirmaram que o altar-mor da Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde corre sério risco de desabar. A Igreja, considerada patrimônio histórico-cultural pelas duas instituições, foi construída entre nos primeiros anos da segunda metade do século 19.

É bem provável que a sua construção seja a mais antiga a conservar algumas das poucas características da arquitetura original da época. Ainda que com parte da sua arquitetura modificada nos anos de 1970, a Matriz conserva um altar único no mundo, inspirado na Colunata de S Pedro de Roma, segundo o Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia (IPAC-BA).

Os últimos assaltos à agência, ocorridos no centro da cidade, provaram que os bandidos não possuem dispositivos para checarem a quantia exata guardada nos cofres. Ou, talvez, essa informação seja simplesmente irrelevante para os grupos armados que dinamitaram sem nenhum acanho o prédio onde funcionava a agência para levar uma soma irrisória.

Em última instância, não é sabido por nós que o líder da quadrilha seja um apaixonado por arte barroca ou neoclássica, portanto, não haveria nenhum impedimento para que explodam pela terceira vez uma agência na cidade. Como hipótese mais evidente, significaria selar o destino final de um altar secular devido os tremores provocados pelo impacto das explosões.

2. O Mercado também é um patrimônio, esquecemos?
Um dos prédios já cogitados para funcionar a nova agência foi o antigo Mercado Municipal, bem no centro da Rodrigo Alves Teixeira. Outro prédio de relevância monumental, a antiga sede do Museu de Antiguidades de Jussiape é datada do final do século 19 e início do século 20. O que torna evidente que a estrutura do prédio não suportaria o impacto causado pelos explosivos. Mas, afinal, quem parece se importar mesmo com a identidade e memória do município são intelectuais, poetas romancistas e neo-hippies latinos que vendem miçangas para comprarem os seus baseados.

3. Prejuízo e terror à vista
Além de colocar a vida de pessoas em risco por conta da capacidade de alcance do impacto dos explosivos utilizados nos assaltos, a estrutura dos imóveis, que inevitavelmente é abalada, é outro problema que deve ser considerado. Caso a propriedade de um morador seja condenada por oferecer riscos de desabamento, a única opção que lhe restará será requerer indenização do banco, o que pode levar anos a fio até alguém ver a cor do dinheiro.

A cada ataque dos bandidos, o terror se instala em quem reside vizinho à agência. Nos dois assaltos à agência do Banco do Brasil em Jussiape, o primeiro em 2014, quando os criminosos adotaram a estratégia de agirem à noite na cidade, e o segundo em 2016, há quase dez meses, os moradores têm agregado sérios prejuízos não apenas financeiros, mas também emocionais.

Ao se deparar com a porta de um cofre, quase tão difícil de mover quanto o martelo Mjolnir do deus nórdico do trovão Thor, arremessada diante dos nossos olhos, é possível constatar que as marcas das rajadas dos projéteis nas paredes ou parte de um muro no chão não nos assusta mais.

Mas, então, algum outro ponto invisível que faltou ser mencionado?