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O temido combate dos bandeirantes aos índios nos sertões da Bahia

Ilustração: Mundo Estranho

Segundo trecho do livro Bandeirantes Sertanistas Baianos, durante os séculos 18 e 19 as bandeiras sertanistas estavam em plena atividade no sertão baiano. Ou seja, nessa época havia muitos bandeirantes em nome da Coroa Portuguesa invadindo territórios indígenas e dizimando milhares de índios que dificultavam a penetração dos europeus nessas terras.

Em uma das passagens do livro que retrata a exploração dos sertões baianos é possível se deparar com uma narrativa sobre os esforços desses bandeirantes: “Pelos avisos que tive do coronel André da Rocha Pinto se dificultarão os descobrimentos, e mais projetos, em que por ordem minha anda ocupado, sendo o principal motivo dessa dificuldade as duas aldeias de gentio brabo entre o Rio Prado e Rio das Contas; uma da nação do Gongayo, e outra nação Crancayo e ser conveniente destrui-los e incapacitá-los, da sorte que não embarrassem progressos tão úteis ordenho-vos lhe dê toda a ajuda que precisa, fornecendo índios e mais mamelucos e mulatos forros”.

Segundo consta em pesquisas recentes, Antônio Veloso da Silva, um bandeirante que se tornou popular na história por dizimar índios, fundou uma fazenda chamada Boqueirão nas proximidades de Rio de Contas enquanto combatia os índios “bravos” e negros fugitivos. Em 1719, esse mesmo bandeirante teve ordem do governo baiano para combater tribos indígenas em Cairu. Já em 1721, fundava um arraial na região de Cachoeira. No ano de 1725, atacou uma localidade conhecida por Maloca, em Cairu, e ao longo de Jiriçá, na Bahia.

Em 1726, voltando a atacar essas paragens, no ano seguinte, numa terceira expedição, foi ferido em conflito com os indígenas na aldeia de João Amaro. Em 1732, Antônio Veloso da Silva teve violentos embates com os índios do trecho do Rio das Contas, exterminando e fundando no local uma fazenda de criação de gado que, cem anos depois, se consolidaria como a Fazenda do Gado, segundo o escritor Renato Bandeira.

A exploração do território que atualmente compreende vários municípios da Chapada Diamantina está ligada diretamente ao movimento expansionista do século 18, o que remota a penetração dos bandeirantes no sertão, quando subiram o Rio das Contas, a procura de minérios preciosos, especificamente diamante e ouro, reconhecendo o território aurífero nas margens desse rio próximo à Serra da Tromba.

Nos anos de 1718 a 1719, consta em registros históricos que Sebastião Pinheiro da Fonseca Repouso extraiu oitenta arrobas de ouro no local chamado Mato Grosso, próximo ao Arraial dos Crioulos, em Rio de Contas. Já no final do século 17 até o quarto do século 18, muitos bandeirantes se aventuraram pelo sertão do Rio de Contas, inevitavelmente estavam em conflitos com os gentios, como eram chamados os índios que habitavam esses territórios.

Dentre muitos bandeirantes da época, alguns, como Pinheiro Raposo, Damasco Coelho de Pinha, Pedro Barbosa Leal ganharam notoriedade pelas atividades exploratórias nos sertões da Bahia, e talvez tenha se consagrado como o último grupo encarregado pelo vice–rei de Portugal, o conde de Sabugosa, a abrir caminhos ligando o Arraial dos Crioulos (Rio de Contas) a Jacobina.