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Diário Oficial de 1923 descrevia Jussiape como povoação comercial ao relatar atividades econômicas

Comércio de Gado no início do século 20 Foto: Acervo do MASOLS

A descoberta das Lavras Diamantinas, que atraíram exploradores de todas as partes, e por estarem próximas daquele centro de riqueza, faziam com que as estradas se tornassem bem concorridas. Ao longo do caminho para as Lavras foram edificadas algumas pequenas construções que com o tempo, o território que atualmente compreende Jussiape, tornar-se-ia uma povoação comercial, segundo informações do Diário Oficial de 1923.

Entre os vários pesquisadores que se dedicam à história de Jussiape, tornou-se unânime a afirmação de que o comércio local teve suas origens com a descoberta das Lavras Diamantinas e com a presença dos tropeiros, que traziam e levavam mercadorias das Lavras.

Comércio de Gado no início do século 20 Foto: Acervo do MASOLS

Com a alcunha de Dera Pé de Bode, o tropeiro Deraldo Chagas, morto em 2014, foi um personagem da história de Jussiape do final do apogeu econômico do município, no início do século 20, quando as tropas que partiam da Fazenda do Gado, hoje Jussiape, com o intuito de abastecer de carne bovina diversas regiões do Estado.

Como tropeiro, Chagas presenciou a expansão da economia da Fazenda do Gado para as Lavras Diamantinas e, logo depois, para outros municípios como Jequié e Bom Jesus da Lapa. Na época, o cavalo era o meio de transporte mais utilizado para transportar as carnes mantidas em conversas de sal.

O Museu do Senhor Onildo Luz Silva, em Jussiape, abriga um acervo com peças, utilizadas pelos tropeiros da região, no início do século passado. Trempes e panelas utilizadas para preparar o feijão tropeiro, além de punhais e outros utensílios que podem ser encontrados em uma galeria na instituição.

A concentração das tropas acontecia em diversos pontos do município, incluindo a sede da cidade e o povoado do Bicho. Na época, as tropas que ganharia notória popularidade no comércio pertenciam aos senhores Procópio Ferreira e Antônio Garapão.

Na comunicação, as tropas desempenharam um papel importante, pois eram os tropeiros os responsáveis pelas correspondências da população durante aquele período.

As tropas permaneceram em atividade no município de Jussiape até o início da década de 1970. Abaixo uma entrevista do tropeiro em novembro de 2011 à Jussi Up Press.