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O mito da linha de ouro que cruza Jussiape

Pico do Candombá, na Serra do Santo Antônio Foto: Will Assunção/JUP

Um mito diz que uma linha de ouro da espessura de um braço adulto cruza o centro da cidade, atravessando o Rio das Contas e se estendendo até um ponto desconhecido na Serra do Santo Antônio, já na fronteira entre os municípios de Jussiape e Rio de Contas. Uma segunda versão menos conhecida diz que a suposta linha vai até a beta de Pedro da Silva, no antigo minério extinto na base da Serra, após a sua principal estrutura desmoronar sobre escravos e exploradores, segundo relatos orais.

Esta é, provavelmente, a lenda mais velha que conseguiu sobreviver ao tempo. É bem possível que esse relato mitológico surgiu logo após a decadência da exploração do ouro em Jussiape, lá pelo século 19. Com a especulação do surgimento de novos minérios pela região, já que, como Jussiape, Rio de Contas também havia sofrido com o declínio do ouro e diamante, exploradores encontraram na ideia reconfortante, cercada de mistério, uma esperança de um recomeço no lugar onde arrobas do minério precioso já haviam sido extraídas.

No entanto o único fato comprovado é que a Serra do Santo Antônio possui vestígios do desabamento da antiga beta. Outro fato que merece atenção é o da existência de um minério na Serra. Não é por acaso que, em 2010, parte das terras da Serra foram compradas por uma empresa interessada em explorar o antigo minério. Neste ano, já no segundo semestre de 2017, as especulações voltaram a crescer após a notícia correr solta entre a população de que mineradoras poderiam voltar a explorar a Serra.

A história registra que uma quantia considerável do ouro encontrado nas proximidades do Pico do Candombá era transportada em lombos de animais pela Estrada real até a casa de fundição mais próxima e paga à Coroa Portuguesa. Inclusive, passagens como a do pagamento do O Quinto, imposto que o rei de Portugal recebia pela extração do ouro, além de outras curiosas narrativas sobre a época áurea do minério na região podem ser encontradas em documentos que pertencem ao acervo do Museu de Antiguidades de Jussiape.

Em janeiro deste ano, o Canal Fuzuê gravou na Serra. No episódio, um dos moradores comenta sobre o desabamento da beta de Pedra da Silva e os contornos mitológicos que o acontecimento ganhou.