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O calçamento do centro de Jussiape é mesmo um legado da mão de obra escrava?

Cavalhada marca a primeira metade do século 20 Foto: Acervo do MASOLS

Há quem acredite que o centro de Jussiape foi calçado por escravos em meados do século 19, pouco antes da princesa Isabel assinar a Lei Aurea, sancionada em 13 de maio de 1888, que extinguiu a escravidão no Brasil. No entanto a verdade é que o calçamento da Praça Rodrigo Alves Teixeira é datado do ano de 1939, quando Jussiape ainda era uma vila e pertencia a Barra da Estiva e já não existia a escravidão no país. O restante do pavimento continuou a ganhar a praça e suas adjacências nas décadas seguintes, relembra Amilton Assunção, 89, um dos moradores mais velhos da cidade.

Muitas daquelas pedras de diversos formatos, incluindo o desenho de vários sóis e cruzes que cercam a Igreja Matriz Nossa Senhora da Saúde, no centro da cidade, não foram colocadas lá por escravos, mas, sim, por homens livres. Boa parte do pavimento é resultado, bem provavelmente, do trabalho funcionários da Prefeitura, após o município ser emancipado, em 1962.

Mas se você é daqueles que precisam ver para crer, basta agendar uma visita ao Museu de Antiguidades, quando ele for reaberto, e conferir o acervo fotográfico (enquanto isso disponibilizamos um episódio da websérie “Olhar Profundo”, do Canal Fuzuê, em que retrata o município através de fotografias históricas) comparando registros da primeira e segunda metade do século 20: você poderá constatar que as procissões católicas, por exemplo, datadas desses dois períodos, eram realizadas sobre chão de terra.

É possível se deparar também com a icônica foto da Feira do Gado, comumente confundida com a Fazenda do Gado. Entre as fotos históricas disponíveis no acervo, é possível atentar para o centro da cidade, ainda na década de 1960, formado por pequenas elevações de areia. Inclusive, havia um pequeno parque por lá, onde as crianças da elite tinham que revezar entre os poucos brinquedos disponíveis.