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Promover fofoca é atestar ausência de inteligência

Will Assunção

Imagem: Reprodução
Sim, eu admito: todos nós, em algum momento, já praticamos a fofoca. Ou algo que se aproximasse tanto dela que os seus efeitos ecoassem iguais ou piores que a de um mexerico mal intencionado. Espalhar qualquer informação sem nos preocuparmos em saber se é ou não verdade pode causar um dano irreversível à vítima. E, em alguns casos, mesmo sendo verídico, espalhar algum fato sobre alguém pode constituir crime passível de detenção (veja quadro abaixo).

LÍNGUA EM AÇÃO
A tática do fofoqueiro é a mesma e costuma funcionar. Alguém cria uma mentira para que o fofoqueiro a espalhe e o próximo a escutar acredita por se tratar de alguém ingênuo, ou, na pior das hipóteses, por ser portador da síndrome do idiota: quando apurar fatos e questionar sobre o que lhes é empurrado se torna um trabalho árduo, envolvendo o ato de pensar.

Os rumores só terminam quando, finalmente, chegam aos ouvidos de pessoas inteligentes, vacinadas e dispostas a não atender o que não tem sentido ou utilidade real, alerta Valéria Amado, autora do artigo “A fofoca morre quando chega aos ouvidos de pessoas inteligentes”.

QUE A CIÊNCIA DIZ?
Ser chamado de fofoqueiro é uma grande ofensa para qualquer um, mesmo o ultrajado sabendo que é um mexeriqueiro de carteirinha. Mas, saiba que existe uma explicação científica para obsessão pela vida alheia. Um estudo da Universidade de Northeastern, em Boston, nos EUA, descobriu não só que o subconsciente valoriza a fofoca, como a mente e os olhos prestam atenção quando estão em jogo informações negativas e mentiras perniciosas.

Ainda segundo alguns cientistas, o cérebro dos fofoqueiros reage dessa forma planejando uma futura defesa, agora dessa vez com um fato verídico.

A HISTÓRIA FALA
Especular, inventar, e até mesmo causar intrigas já era motivo de preocupação na Idade Média. E por conta disso foi criada uma espécie de máscara medieval feita para impedir que pessoas cometessem o ato falho de falar da vida alheia. Uma punição poderia levar ao bisbilhoteiro dias com a cabeça presa a uma invenção não muito confortável.

FOFOCA NA BÍBLIA
Há na Bíblia várias passagens que condena a fofoca. No livro de Romanos narra como Deus está derramando a Sua ira sobre aqueles que rejeitam as Suas leis. A lista de pecadores inclui murmuradores e detratores (Romanos 1:29-32). O que prova o quanto a fofoca era levada a sério desde aquele tempo. Há também mais passagens sobre futricos em outros livros das escrituras. "A boca do tolo é a sua própria destruição, e os seus lábios um laço para a sua alma. As palavras do mexeriqueiro são como doces bocados; elas descem ao íntimo do ventre" (Provérbios 18:7-8). Ou, “o que guarda a sua boca e a sua língua guarda a sua alma das angústias” (Provérbios 21:23).

LÍNGUA SOLTA
Um fofoqueiro pode ser também uma pessoa que tem informações privilegiadas sobre outras pessoas e revela essa informação àqueles que não precisam saber. Os fofoqueiros, geralmente, têm a intenção de se parecer alguém justo, ao passo em que outras pessoas se pareçam más. Eles também falam dos erros e defeitos dos outros, ou revelam detalhes embaraçosos, ou mesmo vergonhosos sobre a vida do próximo.

CRIME E CASTIGO
É bem provável que eu, você e o seu melhor amigo já tenhamos nos tornado alvo de algum falatório pelo menos uma vez na vida. E mesmo que você diga que não se importa com quem anda falando a seu respeito não é legal ter seu nome envolvido em especulações que na maioria das vezes passa longe de ser verdade. Pois bem, saiba que acusar ou ofender a dignidade de alguém são, ambos, crimes passíveis de penas de detenção. Entenda melhor do que se trata calúnia, difamação e injúria.

CALÚNIA
Acusar alguém publicamente de um crime.

DIFAMAÇÃO
Acusar alguém publicamente de um ato desonroso, porém não definido como crime. Trata-se de um crime contra a reputação. Então, mesmo falando a verdade, espalhar publicamente o fato ofensivo é crime.

INJÚRIA
Ofender a dignidade ou o decoro de uma pessoa – é como a difamação, mas a ofensa não é pública.

FICOU SABENDO?
Não importa o quão delirante e infundada é a fofoca em si, mas bata um rumor para despertar o interesse nas pessoas sem resistência a qualquer diz-que-diz. E é assim que funciona no terreno fértil que é a internet, onde bilhões de pessoas estão conectadas e tende a ser o alvo certo da sensibilidade de um coletivo no mundo moderno.

Mesmo sabendo que há grandes chances do boato não ser verdade, a impressão emocional perdura. Afinal, nos dias de hoje quem não está suscetível a cair numa lorota na internet? Apesar de já dizer o jargão que se tornou popular na rede: “não é porque está na internet que é verdade”. E é assim em Jussiape, uma cidade com pouco mais de 7 mil habitantes, onde tudo o que acontece tem seu desenrolar acompanhado. Seja pelo WhatsApp ou pessoalmente os fofoqueiros não perdoam ninguém. De quem pula a cerca a quem ganha sem trabalhar. Ninguém está a salvo das fofocas.

CONTA OUTRA
É necessário que tenhamos ouvidos inteligentes que ajam como verdadeiros filtros, separando a especulação maledicente da informação genuína. Mas, o que pode ser feito de fato para inibir os efeitos de um fuxico? Algo importante a se fazer é não estimular quem nos conta qualquer boato, para isso basta agir com desinteresse para que o fofoqueiro saiba que o cochicho não nos interessa. Outra dica importante é não dá asas ao que foi dito. Se cheira a fofoca é muito provável que o acontecido está revestido de mentiras perniciosas.

FOFOCA REVERSA
Que tal praticar o reverso mesmo se você não for um fofoqueiro? Experimentar praticar o bem é uma ideia que pode funcionar. Em vez de investir comentários maldosos, podemos falar, por exemplo, o quanto o novo funcionário é talentoso e gentil. Ou, então, que a tia de meu colega de inglês cozinha bem. Afinal, a fofoca pode causar danos irreversíveis, contudo temos que ter consciência de que vivemos em comunidade e a vida em grupo sempre será permeada por especulações das mais diversas.

Por mais organizada que seja a nossa sociedade, haverá sempre um futrico. Seja por parte de um vizinho que deseja saber se você está de namorado novo, ou do seu antigo colega de trabalho que sempre quis tomar o seu lugar na empresa. Não tem jeito, sempre correremos o risco de sermos assunto de um mexerico. Precisamos entender que a fofoca é uma forma de estratagema de lidar com o poder. A saída mais inteligente é tentarmos sermos íntegros, transparentes e não alimentar qualquer tipo de atitude que ponha em risco a imagem ou reputação do próximo.