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2017, o ano de Éder Jakes

Will Assunção

O prefeito-médico Éder Jakes Foto: Will Assunção/Jussi Up Press

Eder Jakes, 44, possui uma rotina comum a de prefeitos do interior da Bahia. Costuma acordar às 6h, toma café da manhã em sua casa, na Praça 9 de Julho, e de lá parte para a Prefeitura, que fica no mesmo quarteirão. Às segundas se reúne com vereadores; na quarta realiza os despachos com os secretários e, na sexta, atende à população. Na terça e quinta, Jakes mantém atividades como médico, pois, segundo o prefeito, possui compromissos financeiros já que só com o salário de prefeito não seria possível honrá-los.

Já estamos em fevereiro, praticamente já no final do segundo mês, mas parece que o ano ainda não começou de verdade para alguns de nós. Principalmente para quem iniciou um mandato como prefeito pela primeira vez e tem que lidar com um município que está uma verdadeira bagunça.

Sem a única agência bancária da cidade, explodida por bandidos em dezembro de 2016, e com um hospital funcionando precariamente, após o Ministério Público receber denúncias de irregularidades, e ser interditado pela Vigilância Sanitária, também em dezembro do ano passado, Éder Jakes (PMDB), novo prefeito de Jussiape, tem a tarefa de colocar a casa em ordem.

Mas, pode não ser tão simples quanto parece. Isto porque, segundo o gestor, um rombo de aproximadamente 1,7 milhão de reais foi deixado para trás pelo ex-prefeito Gilberto Freitas (PSC).

ONDE ESTÁ O DINHEIRO?
De acordo com Éder Jakes, o município recebe por mês, em média, algo em torno de 1,3 a 1,4 milhão de reais. No mês de dezembro, Jussiape recebeu R$ 2. 626.000 reais. Então, conclui o gestor que, se a média é de 1,4, logo, R$ 1.200.000 reais evaporaram dos cofres da Prefeitura. Ele ainda explica que “se foi gasto com alguma coisa, aí a gestão anterior vai ter que prestar contas depois; mas esse R$ 1,2 milhão evaporou”, completa. “Se você teve R$ 1.200.000 reais a mais e pega uma Prefeitura com um saldo de R$ 500.000 reais devedor, então se torna praticamente R$ 1.700,000 reais”, conclui.

DESAFIOS
“O principal desafio, hoje, é adequar pouco recurso que o município recebe com a atual realidade que o município se encontra. Então, não dá para fazer milagre. Para a mudança acontecer é ter coragem para deixar de ser prefeito-político [partidário] para ser um prefeito que seja gestor.

Os recursos são poucos. Mas dá para mudar a realidade? Com o pé no chão dá”, pontua. E continua: “empreguismo não faz parte do meu vocabulário. Nós temos hoje concurso, nós temos hoje, praticamente, quase 410 concursados. Nós temos o Ministério Público que fica de olho nas contratações em excesso, e nós temos também a responsabilidade fiscal”.

VITÓRIA HISTÓRICA NAS URNAS
Com 100% dos votos apurados, Éder Jakes (PMDB) foi eleito prefeito de Jussiape (BA) com 78,11% dos votos. Em segundo na disputa pela Prefeitura, Roberto Paiva (PSDB) teve 20,51%. Edson Caires (PP) alcançou 1,38%. Em números exatos Éder teve 4.068 votos; Roberto 1.068 e Edson 72.

O médico de Dom Basílio (BA), Éder Jaques, que tem como vice Robson Alencar, filho de Procópio Alencar, morto no atentado de 24 de novembro, é considerado o candidato ao cargo de chefe do Executivo mais votado na história da política de Jussiape. Com precisos 3 mil votos de diferença entre Roberto Paiva, seu principal opositor na disputa pela Prefeitura, o peemedebista registra um recorde que até então não havia sido alcançado na política do município. Nestas eleições de 2016, o total de votos válidos somam 5.208 (93,89%); brancos 86 (1,55%); nulos 253 (4,56%). Os ausentes contabilizam 17, 39%.

LEGADO DE DERROTAS
Em 2008, o ex-prefeito Elpídio Paiva Luz, irmão de Roberto Paiva, em disputa à Prefeitura Municipal de Jussiape, contra o ex-prefeito Vagner Neves Freitas, perdeu com uma frente de 1.975 votos. Vagner Freitas conseguiu vencer as eleições municipais com 3.697 votos (67%), enquanto Elpídio Paiva obteve 1.722 votos (31%).

Ainda no seu primeiro mandato, Éder enfrentou Roberto Paiva, que concorreu ao cargo de prefeito na última eleição de 2012, em uma disputa já considerada vencida; embora no início de 2016 Roberto liderasse as pesquisas de intenção de voto. Muitos analistas políticos apontam a presença do irmão de Roberto, o ex-prefeito Elpídio Paiva, na campanha, como o principal fator pelo declínio da sua popularidade entre os eleitores.

VETERANOS
De todos os candidatos veteranos que disputaram a uma vaga na Câmara de Vereadores apenas 2 não conseguiram se reeleger e permanecer no Legislativo. Rodrigo Leite (PRP) e Adson Muniz (PRP) não conquistaram mais um mandato em suas carreiras políticas.

Apesar da disputa pela Prefeitura ter sido considerada definida pelos partidos que apoiaram o candidato do PMDB, após a queda de Roberto nas pesquisas de intenção de voto, o embate nas urnas entre os candidatos à Câmara foi marcado por um acirramento. O novo prefeito deve enfrentar em 2017 uma Câmara equilibrada, já que Éder conta com cinco vereadores, enquanto a oposição conseguiu emplacar quatro.

ROBERTO LUZ
Roberto Luz, segundo mais votado nas eleições de 2016 à Prefeitura de Jussiape, enviou uma mensagem a um dos canais de comunicação da JUP onde comentou sobre a vitória do seu opositor Éder Jakes. No comentário, Luz chamou o novo prefeito de “forasteiro” e afirmou que o povo só teria votado nele porque estava “sem esperanças”. “Espero que o [prefeito] vitorioso possa corresponder a sua expectativa [a do repórter] e de todos que nele acreditou, eu tenho a certeza que se tivesse sido eu o escolhido daria tudo para ver a minha, a nossa querida terra progredindo com justiça e respeitando as diferenças e corrigindo rumos, e valorizando a nossa gente e trazendo de volta o orgulho do nosso povo que hoje está tão sem esperanças que precisa votar em um forasteiro”, disse. Roberto Paiva Luz compôs chapa com sua esposa, a dentista mineira Renata Tatagiba.

CAMPANHA PÉ NA ESTRADA
“O que mais marcou foi a receptividade da população”, respondeu Éder Jakes ao ser questionado pela JUP sobre o que mais teria marcado a sua campanha à Prefeitura de Jussiape, em 2016. Jakes diz que a maneira como ele foi recebido pelas pessoas, mesmo procurando dizer sempre a verdade, sem falsas promessas, ao deixar claro que o principal compromisso de sua gestão seria com a Saúde, reforça, lembrando, que ele é médico. Mas, menciona também a Educação ao falar sobre os índices que o município precisa alcançar.

Ao falar da sua campanha, o prefeito chama a atenção para as pesquisas de 2015, quando seu nome alcançou o primeiro lugar entre os candidatos e, logo em seguida, foi demitido por representar uma possível ameaça à política do ex-prefeito Gilberto Freitas. O prefeito-médico, que divide o dia a dia entre o gabinete e o consultório, reafirma sua larga vantagem sobre outros candidatos ao dizer que pouco antes do início oficial da campanha, em junho de 2016, já alcançava os 56%, contra 24% dos adversários. Jakes ainda explica que ele fez questão de ir a todas as localidades do município, pois “Jussiape tem características diferentes”.

DE PREFEITO A MÉDICO
Éder confessa que nunca antes tinha passado pela sua cabeça entrar para a vida pública. “Até então não passava pela minha cabeça ser candidato [a prefeito]; mas, foi conversando com as pessoas que era do partido, do PMDB, [que surgiu a possibilidade] e eles me convidaram”, disse o gestor. “Foi daí que eu pedi para que fosse realizada a primeira pesquisa para saber onde é que eu estava pisando; como é que seria. Até então tinham outros nomes [...]”, completa.

ALIADOS NO LEGISLATIVO
A escolha por Jadiel Carvalho (PMDB), eleito por 7 votos, para a presidência da Câmara, no biênio de 2017-2018, foi a primeira manobra obtida com sucesso pelo Executivo. O pemedebista, aliado no Legislativo do prefeito, recebeu os 2 únicos votos contrários vindos da própria base aliada a sua indicação à candidatura à presidência e, subsequentemente, na votação que o elegeu presidente da Casa.

Apesar de curioso, o cenário no Legislativo, mesmo inesperado, é favorável a Éder Jakes que conta cinco aliados na Câmara e diz estar aberto a manter diálogo com todos. “Para quem está na Prefeitura ter o Legislativo ao seu lado para provar aquilo que é de benefício para a cidade é realmente vantajoso. Acima da questão político-partidária tem um município que precisa ser reconstruído. Então eu passo por cima dessas coisas. A campanha já acabou”, pontua.