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Casa onde viveu João Batista Luz, 4º prefeito de Jussiape, é demolida

Construída nas primeiras décadas do século 20, no centro de Jussiape, a casa onde viveu o 4º prefeito de Jussiape João Batista Luz (1923-2009) foi demolida na manhã desta quinta-feira (26).

O prédio, adquirido por um empresário, foi vendido pela família do prefeito. “A casa que preservava a arquitetura civil do início do século passado não é tombada, assim como a maioria dos casarios que formam a Praça Rodrigo Alves Teixeira, no Centro Histórico da cidade”, explica o turismólogo Will Assunção.

Casa onde viveu João Batista Luz é demolida Foto: Will Assunção/Jussi Up Press

De acordo com Assunção, o próprio município teria o poder de tombar qualquer prédio com relevância histórica no município e, portanto, preservar as construções para salvaguardar as suas memórias. Especula-se que o terreno onde antes estava erguida a residência de João Batista Luz dará espaço para um empreendimento do ramo varejista. “É possível que mais um mercado seja construído na praça”, conta um popular que reside nas imediações.

Casa onde viveu João Batista Luz é demolida Foto: Will Assunção/Jussi Up Press

MAIS DEMOLIÇÃO
Um dos últimos casarões que conserva a arquitetura civil urbana do final do século 19, na Praça Rodrigo Alves Teixeira, Centro Histórico de Jussiape, começou a ser demolido em 2015. O casario deverá dar lugar a mais um mercado no centro da cidade. O prédio datado da segunda metade do século 19, caracterizado por 6 janelas e uma porta, ligeiramente deslocada do centro e, atualmente, contemplado por apenas 4 janelas e uma porta, após reforma sofrida na primeira década do século 21, estava vazio desde a sua última venda.

Sua fachada original possuía cobertura em duas águas, emoldurada por cunhais e cornija, vazada por vãos com cercadura de madeira e vergas abauladas.

Casarão do final do século 19 dá espaço para a especulação imobiliária Foto: Will Assunção/Jussi Up Press

O mais antigo proprietário que se tem notícia foi o coronel Rodrigo Alves Teixeira. No entanto há também registros de outros proprietários como Cassiano Leite que teria vendido o imóvel a José Assunção. Na década de 1940, Júlia Luz Bonfim adquiriu o casarão de Assunção e o prédio passou a abrigar o Hotel Bonfim.

De acordo com o Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia (IPAC-BA), apesar de não possuir nenhuma proteção de um órgão do governo ou reconhecimento como patrimônio histórico pelo município, a casa se revela de relevante interesse arquitetônico.

ESPECULAÇÃO IMOBILIÁRIA
A mudança no cenário traz já defasada a arquitetura civil do fim do século 19 e início do século 20 no centro de Jussiape. A demolição de alguns casarios antigos, que vem aumentando há mais de dez anos, dá espaço a novos empreendimentos. “É bem provável que em pouco tempo apenas sobrará vestígios do que restou do legado histórico-cultural da praça”, alerta turismólogo.

Outros sete casarões ainda resistem na Rodrigo Alves Teixeira, como o intocável prédio da capela Matriz Nossa Senhora da Saúde, datado do mesmo período; o antigo Mercado Municipal, ponto de tropeiros no início do século passado, e que atualmente abriga o Museu Senhor Onildo Luz Silva; a Câmara de Vereadores, além de algumas residências e outros prédios que conservaram, em bom estado, as suas fachadas.

Segundo o turismólogo e editor da JUP Will Assunção, descendente de um dos proprietários do imóvel no passado, não há necessidade de um estudo aprofundado para revelar que o prédio em questão tenha valor histórico, haja vista que ele integra o conjunto arquitetônico da praça e traz, como legado, a história do município.

O prédio retrata a arquitetura civil urbana das últimas décadas do século 19, quando o comércio de gado no município começava a despontar como maior atividade econômica da região e uma das principais do estado.