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Artefatos encontrados em obras entre Jussiape e Abaíra podem ter até 9 mil anos

Dupla responsável pela descoberta dos achados históricos em meio à obra de pavimentação asfáltica Foto: Will Assunção/JUP

Na construção da estrada de pavimentação asfáltica, entre os municípios de Jussiape e Abaíra, na Chapada Diamantina, na Bahia, houve um estudo acompanhado de diversos trabalhos ambientais onde a arqueologia entrou como uma das áreas agregadas às aplicações das atividades desenvolvidas no local.

Após investigação científica no trecho onde foi construída a nova estrada na BA-148, ficou constatado que houve ocupação humana e uma equipe técnica, seguindo a legislação brasileira, explorou toda a extensão revelando o passado de culturas que existiram na região.

De acordo com o arqueólogo Alvandir Bezerra, um dos responsáveis pela exploração, o primeiro passo foi diagnosticar e contextualizar os territórios envolvidos no estudo. “Estivemos nos municípios e fizemos o levantamento histórico-cultural”, disse.

A segunda etapa do processo foi identificar os 28 sítios arqueológicos, a maioria deles identificados como pré-colonial, de antes da chegada dos portugueses ao Brasil. E outros sítios bem típicos da região, como casa de farinha e antigos engenhos.

Após identificar os sítios, eles foram sinalizados nos trechos da estrada para preservar a demarcação dos achados. A terceira e última etapa constituiu no salvamento das peças que foram retiradas antes que o maquinário destruíssem os preciosos artefatos encontrados.

Todo o material encontrado é estudado por uma equipe da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), sob orientação do professor de Antropologia Joaquim Perfeito.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL
Após todo o salvamento em campo dos artefatos, a equipe neste momento atua em um trabalho de educação patrimonial que consiste em retornar aos municípios onde foram encontrados os instrumentos e realizar palestras envolvendo alunos, professores e toda a comunidade local.

Nos encontros com a população dos municípios em questão eles apresentam aspectos da arqueologia e os resultados do trabalho realizado durante a exploração no território mapeado. Além de mostrar o potencial da Bahia.

“No estado, em tempos remotos, teve ocupação intensa e a gente precisa informar através desse material”, pontua Bezerra.

Artefatos são apresentados a estudantes em Jussiape
TEMPO
Não foi possível datar com exatidão ainda os artefatos. Mas, por associação a outros sítios que existem no Brasil e na Bahia, existem algumas hipóteses. Há artefatos que foram coletados e que podem ser considerados de grupos caçadores coletores, afirma o arqueólogo responsável pela exploração.

Os grupos que fizeram as pinturas rupestres na região usaram esses instrumentos. Há informações de grupos que viveram de 6 a 12 mil anos. “Os artefatos encontrados podem pertencer a uma faixa cronológica, que varia entre 6 a 9 mil anos, tendo como base a associação, sem datação absoluta”, completa Alvandir Bezerra.

Há sítios encontrados datados do século 19, quando houve na região o apogeu da ocupação europeia e a utilização dos engenhos de cana-de-açúcar. Existem também artefatos líticos que podem ser associados a grupos ceramistas. Como, por exemplo, na estrada construída de Rio de Contas a Jussiape, onde foram encontradas urnas funerárias.

Os grupos que faziam as urnas também utilizavam as pedras. Eles são datados em cerca de 800 a 1.200 antes do presente. São os Aratus e Tupis.

LOCALIZAÇÃO EXATA
Foram encontrados 28 sítios com o material lítico em uma distância de 2 km de um sítio para o outro. “A exploração sempre foi realizada às margens da rodovia, tanto no lado direito quanto no lado esquerdo. O que a gente conseguiu identificar no laboratório foram 9 diferentes tipos de ferramentas”, explica o professor de Antropologia da UESB Joaquim Perfeito da Silva.

Após análise e liberação de todo o material encontrado pelos órgãos governamentais, o Museu de Antiguidade do Senhor Onildo Luz Silva, em Jussiape, pode ser o local escolhido para receber uma exposição dos artefatos.